sábado, 31 de dezembro de 2011

Magia e Religião

Em todas as sociedades antigas, a magia e a religião estavam interligadas. Acreditava-se que havia muitos deuses e espíritos secundários, bons ou maus, que controlavam a maioria das coisas da vida, eram responsáveis pelo sol e pela chuva, pela prosperidade e pela pobreza, pela doença e pela saúde. O propósito da magia era agradar ou controlar esses espíritos. Assim como a religião, a magia compreendia rituais e cerimônias que apelavam aos deuses. As pessoas acreditavam que os mágicos, assim como os sacerdotes, tinham um acesso privilegiado aos deuses. Só que, em vez de adorar essas divindades, os mágicos lhes pediam, ou até exigiam, favores.

Às vezes os mágicos apelavam aos deuses simplesmente para obter ajuda quando queriam lançar um feitiço ou proferir uma maldição. Mas muitas vezes também tentavam fazer essas divindades aparecerem "em pessoa". Depois de cumprir uma cerimônia especial a fim de convocar ou invocar um espírito, um mágico da antiga Babilônia ou do Egito podia ordenar ao espírito que levasse embora a doença, abatesse um inimigo ou garantisse alguma vitória política. Era costume ameaçar uma divindade menor com um castigo a ser aplicado por espíritos mais poderosos, caso as exigências do mágico não fossem satisfeitas. Em seguida, o mágico dispensaria a divindade, enviando-a de volta para o mundo dos espíritos. Centenas de documentos da antiguidade confirmam que tentar recrutar espíritos era uma atividade comum, ainda que muitas vezes frustrante, na Grécia e na Roma antigas.

Quase todas as formas de magia antiga dependiam do conhecimento prévio dos nomes secretos dos deuses. Pensava-se que muitas divindades tinham dois conjuntos de nomes, os nomes comuns, que todos sabiam, e os nomes secretos, conhecidos apenas pelas pessoas que estudaram as artes mágicas. De certo modo, esses nomes secretos foram as primeiras palavras mágicas. Faladas ou escritas, julgava-se que elas tinham um grande poder, pois se acreditava que saber o nome verdadeiro de um deus tornava o mágico capaz de invocar todos os poderes que o deus representava. Os sacerdotes egípcios davam a suas divindades nomes comprimidos, complicados e muitas vezes impronunciáveis, para que forasteiros não pudessem aprendê-los com facilidade. Dizia-se que Moisés havia dividido as águas do mar Vermelho ao pronunciar o nome secreto de Deus, com setenta e duas sílabas, que só ele conhecia. E, segundo o escritor grego Plutarco, o nome da divindade guardiã de Roma foi mantido em segredo após a fundação da cidade e era proibido perguntar qualquer coisa a respeito dessa divindade - nem mesmo se era macho ou fêmea - , para que os inimigos de Roma não descobrissem esse nome e invocassem o deus para seus próprios fins.
À medida que as civilizações antigas foram entrando em contato umas com as outras, tornou-se cada vez mais comum que os mágicos de uma cultura "experimentassem" os nomes dos deuses de outras regiões. Alguns dos manuscritos mais antigos com registros de práticas mágicas redigidos nos séculos III e IV, contêm listas compridas com os nomes dos deuses de muitas religiões, que poderiam ser inscritos em talismãs e amuletos, ou incorporados a feitiços e encantamentos. Um dos encantamentos mais famosos entre os mágicos gregos e egípcios do século III, supostamente tão poderoso que "o sol e a terra se curvam, humildes, quando o escutam; rios, mares, pântanos e fontes se congelam quando o escutam; pedras explodem quando o escutam", era composto com os nomes de cem divindades reunidos.

A Origem da Magia

A palavra magia deriva do nome dos altos sacerdotes da antiga Pérsia ( o atual Irã), chamados magi. No século VI a.C., os magi eram conhecidos por sua profunda sabedoria e por seus dons de profecia. Adeptos do líder religioso Zoroastro, eles interpretavam sonhos, praticavam a astrologia e davam conselhos aos soberanos a respeito de questões importantes. Quando os magi se tornaram conhecidos nos mundos grego e romano, eram vistos como figuras extremamente misteriosas, senhores de segredos profundos e de poderes sobrenaturais. Ninguém sabia, na verdade, exatamente que poderes eram esses ( afinal, eram secretos!), mas durante um longo tempo qualquer coisa considerada sobrenatural era tida como criação dos magi e chamada de "magia". De fato, o próprio Zoroastro foi muitas vezes chamado de o inventor da magia.

É claro que, na verdade, nenhum indivíduo e nenhuma cultura isolada inventaram a magia. Os procedimentos mágicos transmitidos de geração em geração, ao longo dos séculos, tiveram de origem em muitas civilizações, inclusive nas dos antigos persas, babilônios, egípcios, hebreus, gregos e romanos. A tradição mágica ocidental, como hoje a conhecemos, deve muito à troca de idéias entre membros de diferentes culturas. Esse contato ocorreu com frequencia cada vez maior após o século III a.C., quando o general grego Alexandre o Grande conquistou a Siría, a Babilônia, o Egito e a Pérsia e fundou a cidade de Alexandria, no Egito, destinada a ser o centro intelectual do mundo antigo.

Magia

Aos onze anos, Harry Potter tem a maior surpresa de sua vida. Ao contrário da tia Petúnia e do tio Válter, ao contrário do horrível primo Duda e de todos que ele conhece, Harry é capaz de fazer mágicas. Pode fazer crescer uma cabeleira da noite para o dia, fazer uma vidraça desaparecer no zoológico e encolher um suéter feioso, sem a ajuda de uma máquina de secar. E, conforme Hagrid lhe explica com muita satisfação, um breve período de treinamento na Escola de Bruxaria e Magia de Hogwarts vai permitir que ele faça mais, muito mais.

No mundo da bruxaria, a magia é um modo de realizar coisas impossíveis pelas leis naturais, que limitam o resto das pessoas. Os bruxos podem usar o pó de flu para ir de um lugar para o outro, ao passo que os não-magos são obrigados a ir a pé ou pegar um ônibus. Alvo Dumbledore pode apontar sua varinha mágica e pronunciar algumas palavras mágicas para encher o salão de Hogwarts com sacos de dormir. Uma pessoa comum teria que ir a uma loja, comprar os sacos de dormir, carregá-los em uma caminhonete, trazê-los até a escola e levar tudo para dentro. Sirius Black pode usar a magia para se transformar em um cão, enquanto quem não é mago tem de se contentar em vestir uma fantasia.

Por mais que nos encante ler a respeito das proezas desses magos ficcionais, a maioria das pessoas no mundo moderno não acredita em magia. Apreciamos as apresentações de mágicos nos teatros ou circos, que nos dão a experiência da magia, mas na verdade não esperamos que ele façam o impossível acontecer. E também não são muitos os que acreditam em uma outra idéia comum da magia, no passado - A idéia de que o mundo é controlado por seres sobrenaturais, cujo poder pode ser subjugado e usado por humanos a fim de alcançar seus objetivos.

Porém, ao longo de quase todas a história ocidental, as pessoas acreditaram de fato na magia e confiavam em forças invisíveis e sobrenaturais para exercer poder sobre os outros ou para controlar o mundo natural. As pessoas praticavam a magia para adquirir conhecimento, amor e riqueza, para curar doenças e prevenir-se contra perigos, para prejudicar ou enganar os inimigos, para garantir o sucesso ou a produtividade e para conhecer o futuro. Os métodos mágicos compreendiam muitas das técnicas ensinadas em Hogwarts, como feitiços, poções, encantamentos e adivinhação, bem como rituais e cerimônias minuciosas, destinadas a invocar deuses, demônios e fantasmas. A prática da magia ajudava as pessoas a aliviar suas aflições e ter a sensação de que faziam alguma coisa para controlar o curso de suas vidas.