sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Criaturas Mágicas 6

Gigante

Nem sempre é fácil carregar o peso da reputação de seus ancestrais. É sem dúvida por isso que a enorme Madame Maxime insiste em dizer que não é uma giganta - apenas tem "ossos grandes". Os gigantes têm uma reputação ancestral de agirem de forma cruel sem motivos e, como Hagrid acaba percebendo, a maioria dos humanos não convive bem com eles.

Os gigantes estão presentes nos primeiros mitos de criação de numerosas culturas, muitas vezes como uma raça de seres enormes que existiram antes mesmo de que os deuses. A mitologia grega fala dos Titãs, gigantes altos como montanhas e de força tremenda. Nascidos da união da Terra com o Céu, eram medonhos, com caras peludas, pés escamosos e, em certos casos, várias cabeças. Numa luta pela supremacia, os Titãs travaram uma guerra tão violenta contra os deuses do Olimpo que o universo quase foi destruído. Com a ajuda de Hércules, filho mortal de Zeus, os deuses acabaram vencendo a batalha e mataram ou prenderam todos os Titãs.

Os gigantes desempenham um papel semelhante na mitologia escandinava, na qual os Gigantes Congelados, liderados pelo pérfido Thyrim ( cujo nome significa "tumulto") , foram os inimigos fundamentais de Thor e dos demais deuses. Nas lendas celtas dizia-se que gigantes malvados chamados Fomorianos tinham sido os primeiros habitantes da Irlanda e, em certos contos, eram associados ao inverno, à neblina, às tempestades, às doenças e às colheitas ruins. O Velho Testamento também menciona uma raça de gigantes, fruto da união antinatural de anjos caídos com humanos. Os gigantes bíblicos, no entanto, não são tão grandes quanto os outros da mitologia. O gigante Golias, famoso por ter sido morto por Davi com uma funda, tinha "apenas" dois metros e noventa.

O folclore inglês durante muito tempo, reservou um lugar especial para os gigantes, talvez em função da sua importância nos mitos de fundação do país. Geoffrey de Monmouth, na História dos Reis da Grã-Bretanha ( que na verdade não é um relato histórico verdadeiro, mas sim histórias dos primórdios lendários da Grã-Bretanha), fala de uma raça de gigantes de três metros e sessenta, capazes de arrancar árvores do solo, pela raiz, como se fossem ervas daninhas num jardim. Segundo Geoffrey,esses gigantes reinaram na Inglaterra até serem derrotados pelos exércitos de Brutus, o fundador mitológico da raça britânica e bisneto do herói troiano Enéias.

Grope, meio-irmão de Hagrid ( cena do filme Harry Potter e a Ordem da Fênix)



Durante a Idade Média, os gigantes se equiparam aos dragões) como oponentes dignos dos cavaleiros andantes, que buscavam glória e aventura. Nas lendas do rei Artur e outras histórias épicas, os gigantes representam tudo o que há de mau no mundo: são sanguinários, avarentos, glutões e cruéis. Rapam mulheres, roubam dos vizinhos, matam crianças e às vezes até comem gente. Assim, matar um gigante é um ato de honra e de bondade. Em Le Morte d'Arthur ( A morte de Artur), escrito por Sir Thomas Malory, publicado em 1485, Sir Lancelot dá prova da sua honra ainda muito jovem matando um par de gigantes malvados que mantiveram três donzelas como escravas durante sete dolorosos anos. O cavaleiro Marhaus conquista a riqueza e a gratidão de seus pares ao matar o gigante Taulard e libertar nada menos do que vinte e quatro donzelas e doze cavaleiros cativos. E o próprio rei Artur se revela o mais talentoso matador de gigantes, derrotando o gigante do monte Saint-Michel, um canibal que derrotara quinze reis e vestia um casaco bordado com os pelos das barbas deles.

Os gigantes continuaram a ocupar um amplo espaço na imaginação popular muito depois da época da cavalaria andante haver terminado. Nos séculos XVIII e XIX, homens enormes, com um apetite enorme - e, em muitos casos, um desejo ardente de ter esposas de tamanho normal - , viraram rotina nos contos do folclore europeu. Entre eles, os mais conhecidos eram os que envolviam um jovem corajoso, ainda que um pouco descuidado, chamado João. Em "João, Matador de Gigantes", uma história que apareceu impressa pela primeira vez no século XIX mas se passava no tempo do rei Artur, João é o filho de um lavrador inglês e faz carreira enganando gigantes. Sua primeira vítima foi um gigante de cinco metros e meio, chamado Cormoran, que andava aterrorizando os arredores da Cornualha, roubando e devorando tantas ovelhas, porcos e bois que as pessoas acabaram ficando pobres e famintas. João cavou um buraco bem fundo, que ele cobriu com ramos e folhas, depois atraiu o gigante, que caiu lá dentro, para em seguida ser morto por João. Uma série de vitórias semelhantes rendeu muitas recompensas para João, inclusive uma grande propriedade e a mão da filha do duque. Em "João e o Pé de Feijão", um João bem diferente enfrenta um gigante que mora num castelo nas nuvens ( no topo do pé de feijão, e claro) e diz as famosas palavras: "Um, dois, três, sinto cheiro de um inglês", enquanto um João trêmulo está escondido ali perto.

Uma história tão longa de mau comportamento não pode, seguramente, ser atribuído apenas a dois ou três indivíduos mal-intencionados, portanto é difícil censurar os pais de Hogwarts quando ficam preocupados com o fato de seus filhos estarem tendo aula com um semigigante. Mas, conforme Alvo Dumbledore parece saber, julgar um indivíduo pela reputação da espécie a que ele pertence pode ser enganoso. Em muitas histórias modernas os gigantes são criaturas bondosas que ajudam e protegem humanos de tamanho normal, sobretudo crianças. Eles podem sofrer por deformidades físicas devido ao seu tamanho, ou se sentirem isolados, estranhos ou discriminados. Já conhecemos alguns gigantes que são bons, e talvez haja outros por aí. Se os planos de Dumbledore funcionarem, talvez a gente logo descubra.

Gnomo

Se você está procurando um gnomo, basta olhar o jardim do seu vizinho. Na Europa, nos Estados Unidos e no Brasil, os "gnomos de jardim" - estátuas de gesso decorativas em forma de homenzinhos barbudos, usando chapéus vermelhos pontudos - são enfeites populares. Mas caso seus vizinhos sejam magos, os gnomos deles vão ser muito mais animados do que a versão em gesso. Na verdade, como sabem os visitantes da horta dos Weasley, os gnomos podem ser uns pestinhas de riso frouxo, que devem ser enxotados como qualquer outro bicho que invada seu quintal.

Ninguém sabe exatamente como os gnomos foram associados aos jardins. Alguns sugerem que, na forma de estátuas, começaram como figuras que expressavam as boas-vindas na entrada de grandes prédios e que depois foram adotados para fins mais pessoais. Outra possibilidade é que essa ligação tenha vindo do folclore, no qual os gnomos eram tradicionalmente associados à terra.

Na tradição alemã, os gnomos, assim como os anões, moram no subsolo, onde garimpam metais preciosos e vigiam tesouros. O extraordinário é que podem movimentar-se através da terra em todas as direções, sem precisarem de um túnel, do mesmo modo que um peixe se desloca através da água. Trabalhadores e de boa índole, os gnomos são normalmente retratados como velhos e corcundas, ou com alguma outra deformidade física. Sua pele tem sempre cor de terra ( cinzenta ou marrom) e assim eles se confundem facilmente com o seu ambiente. Quando ameaçado, um gnomo pode, literalmente, dissolver-se no chão ou sumir num tronco de árvore.

Embora existam muitos contos sobre gnomos apreciadores do ar livre, alguns especialistas afirmam que os gnomos viram pedra quando expostos à luz do dia. Se for assim, talvez alguns dos gnomos decorativos de jardim sejam simplesmente vítimas do excesso de sol.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Criaturas Mágicas 5

Fada

Os diabretes que correm alvoroçados na aula de Gilderoy Lockhart, os leprechauns que fazem chover ouro sobre o campo de Quadribol e os elfos domésticos que trabalham na cozinha de Hogwarts pertencem, todos eles, a uma família mais ampla conhecida como fadas. Denominadas frequentemente "povo miúdo", "povo pequenino", "povo do bem" ou "bons vizinhos", as fadas formam uma vasta comunidade internacional de seres imortais e sobrenaturais que muito raramente são vistos pelos humanos. Embora mais conhecidas através das lendas inglesas, essas criaturas mágicas ocupam uma posição de destaque no folclore de países do mundo inteiro, desde a Suécia até o Irã e a China. Muitos de nós estamos familiarizados com as fadas por causa das histórias infantis modernas, onde elas aparecem, em geral, como criaturas minúsculas e bem-humoradas, de coração generoso. Porém, séculos atrás, a crença nas fadas englobava uma larga variedade de seres pequenos e grandes, malvados e bondosos, assustadores e engraçados, lindos e feios - desde o mortífero barrete vermelho das regiões fronteiriças da Escócia até a bondosa fada-madrinha da Cinderela.

A palavra "fada" deriva do latim fata, ou seja, fado, que se refere aos Fados da mitologia. São três mulheres que tecem os fios da vida e controlam o destino de todas as pessoas, desde o nascimento até a morte. Assim como acontece com os Fados, acreditava-se que as fadas interferiam ativamente na vida dos mortais, ajudando-os quando tinham vontade, mas também lhes causando dor e infelicidade. Na Idade Média, as fadas levavam a culpa por um grande número de doenças, desde erupções na pele até tuberculose. Machucados, câimbras e dores reumáticas eram atribuídos aos beliscões dos dedos de fadas zangadas e invisíveis. Dizia-se que as vítimas de ataque do coração, paralisia ou enfermidades misteriosas tinham sido "alvejadas por elfos", como se tivessem sido feridas pela flecha invisível de um elfo. As mães sabiam que nunca deveriam deixar seus recém-nascidos fora de vista, sob o risco de uma fada roubar o bebê e deixar no lugar uma criança falsa e doentia, conhecida como criança trocada.

Em meados do século XVI, o medo das fadas tinha sido substituído pelo medo das bruxas. As fadas ainda podiam ser criaturas brincalhonas e travessas, como o hinkypunk , mas, a partir de então, eram geralmente vistas como criaturas imaginativas, bondosas e amantes da diversão, que simpatizavam com os humanos. A tradição das fadas, vasta e diversificada, refere-se a reinos nas florestas habitados por criaturas minúsculas, vestidas com tecidos de primorosos tons de azul, verde e dourado. Embora costumem ter a aparência de seres humanos lindíssimos, as fadas podem mudar de forma para assumir o aspecto de animais ou se tornar invisíveis quando desejam. Grandes amantes da música, elas dançam ao redor de cogumelos, ao luar, ao som de flautinhas e harpas minúsculas. Diversas canções folclóricas escocesas são consideradas cantigas de fadas, ensinadas a gaitistas mortais atraídos até o Reino das Fadas pelas lindas melodias. Os humanos seduzidos a entrar num reino de fadas em geral se sentem perdidos no tempo, de modo que, quando retornam, descobrem que muitos anos se passaram num piscar de olhos. Mas os mortais que partem resolvidos a encontrar o Reino das Fadas raramente o conseguem, pois, segundo a lenda, o Reino das Fadas só pode ser achado por acaso.

Nem todas as fadas são adeptas de uma vida idílica e ociosa. Muitos contos folclóricos falam de fadas domésticas - brownies, diabretes e alguns elfos - que preferem viver com os humanos e ficam contentes ao ajudá-los nos afazeres domésticos, em troca de uma tigela de coalhada, à noite, ou de uma fatia de bolo. Aqueles que convivem com as fadas devem conhecer bem suas regras de etiqueta, pois elas se ofendem com facilidade. Se a pessoa não mantiver a lareira limpa ou se tentar pagar às fadas pelos seus serviços, elas podem expressar seu descontentamento tombando latas de lixo, quebrando pratos ou fazendo a vaca parar de dar leite. Mas o melhor é fazer vista grossa para esses acessos de mau humor, pois hoje, assim como no passado, é difícil encontrar alguém para nos ajudar com as tarefas domésticas.

Fênix

A coisa mais impressionante a respeito de uma fênix, como Harry descobre enquanto espera no escritório de Alvo Dumbledore, é que periodicamente - a cada quinhentos anos, mais ou menos - esse pássaro lendário pega fogo, é reduzido a cinzas e renasce dessas cinzas.

Na mitologia da antiga Grécia e Egito esse ciclo de morte e renascimento pelo fogo era associado ao ciclo do Sol, que "morria" toda noite, mergulhando o mundo na escuridão, e nascia de novo no dia seguinte. Durante a Idade Média, a fênix passou a fazer parte do simbolismo cristão, representado a morte, a ressurreição e a vida eterna. Hoje, é usada como metáfora para uma recuperação após uma fase ruim. Quando alguém supera uma derrota ou se recupera de uma tragédia terrível, dizemos que essa pessoa "se ergueu das cinzas". A fênix também faz parte, de uma forma um pouco diferente, da mitologia chinesa, onde foi, durante séculos, um símbolo de poder, integridade, lealdade, honestidade e justiça.

Fawkes, a fênix de Dumbledore ( cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta)

Phoenix.jpg

Os escritores clássicos da Grécia e de Roma contam que só havia uma fênix no mundo. Ela vivia na Arábia, perto de uma nascente de água fresca onde se banhava todas as manhãs e entoava uma canção encantadora. "Parte de sua plumagem é dourada, a outra parte é vermelha, e ela se parece muito com uma águia tanto na forma quanto no tamanho", escreveu o historiador grego Heródoto, que fazia uma pequena ressalva, dizendo: "Eu nunca vi o animal, exceto em desenhos". A fênix alimentava-se de olíbano, canela e mirra. Quando sentia que seu fim estava próximo, juntava os galhos e cascas dessas plantas aromáticas e construía um último ninho - alguns o chamavam de pira funerária - no alto de uma palmeira ou de um carvalho. Lá, ela batia suas asas bem rápido até pegar fogo e, então, era reduzida a um monte de cinzas, de onde surgia uma nova fênix, inteiramente reconstituída. Depois de ganhar força e testar suas asas, a nova fênix juntava as cinzas do seu antigo eu, colocava-as dentro de um ovo feito de mirra e o levava para o Templo do Sol, em Heliópolis, no Egito, onde o colocava no altar do deus-sol, Rá. A fênix estava, então, livre para voltar para a Arábia e começar outros quinhentos anos de vida.

Apesar de Fawkes, a fênix de Dumbledore, se parecer com o lendário pássaro da mitologia clássica, ela também possui algumas características da fênix chinesa. É o pássaro chinês, com as garras projetadas e as asas abertas, que geralmente é representado atacando cobras tais como o basilisco. Apesar de não haver precedentes históricos para a habilidade de Fawkes de curar feridas com suas lágrimas ou dar poder a varinhas mágicas com as penas de seu rabo, suspeitamos que ainda há muito para se descobrir sobre esse pássaro notável.

Criaturas Mágicas 4

Duende

Em alguns dicionários, você irá encontrar "duende" definido como um "demônio feio e maldoso". Mas veja os duendes sagazes e eficientes que dirigem o Gringotes e logo você vai compreender que essas criaturas mágicas nem sempre foram vistas de forma negativa. No folclore medieval inglês, os duendes custumes ser representados como diabinhos ou espíritos domésticos prestativos, ainda que temperamentais. Como os brownies escoceses, os gobelins franceses, os kobolds alemães, frequentemente se prendem a uma determinada pessoa ou família e se mudam para sua casa. Gostam especialmente de casas de fazenda e de sítios isolados na zona rural.

Embora os duendes variem muito em tamanho, acredita-se que a maioria tenha a metade da altura de um ser humano adulto. Têm cabelo e barba grisalhos e seu corpo e suas feições costumam ser grotescamente deformados. Podem ter dedos extras nas mãos e nos pés, podem não ter orelhas, ou então ter sobrancelhas viradas ao contrário ou ainda braços e pernas sem cotovelo e sem joelho. Alguns duendes têm também curiosos defeitos de pronúncia ou vozes esganiçadas.

Duende Grampo ( cena do filme Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 2)

Quando bem alimentados e bem tratados, a maioria dos duendes domésticos dedica-se a manter as coisas limpas e arrumadas. Têm um fraco por crianças e trazem presentes para jovens bem-comportados. Mas tome cuidado com um duende zangado! Quando ofendidos, eles não medem forças para obter sua vingança. As travessuras prediletas dos duendes são roubar ouro e prata, cavalgar de noite até deixar o cavalo exausto e mudar de lugar as placas de sinalização. Segundo muitos contos de fadas europeus, o sorriso amargo de um duende pode coagular o sangue humano e sua risada pode azedar o leite e fazer os frutos caírem das árvores. O único jeito de livrar-se de um duende doméstico é cobrir o chão com sementes de linho. Quando o duende aparecer, disposto a aprontar confusão, ele vai se sentir obrigado a, primeiro, catar todas sementes - tarefa impossível de concluir antes do amanhecer. Algumas noites dessa atividade extremamente cansativa bastarão para convencer o duende a ir chatear outra pessoa.

Em seu disfarce de banqueiros e agiotas, os duendes do mundo de Harry Potter têm uma semelhança espantosa com uma criatura mítica escandinava conhecida como Nis. Segundo o folclore escandinavo, esses pequeninos e feiosos membros da família dos anões têm uma habilidade especial para lidar com dinheiro. Quando um Nis fica zangado com seus anfitriões humanos, ataca o que houver de essencial à sobrevivência deles ( mata as vacas leiteiras de uma fazenda, por exemplo) . Quando quer recompensar os humanos, os presenteia com uma arca de ouro.

Foi só no século XVII, quando a histeria antibruxas varria grande parte da Inglaterra e da Escócia, que os duendes foram associados às forças das trevas e do mal. Alguns contos de fadas ingleses escritos depois desse período tentam fazer uma distinção entre espíritos domésticos bons ou maus, identificando-os como duendes maus ou duendes bons. O mais famoso duende bom é, sem dúvida alguma, o personagem literário Robin Goodfellow, também conhecido como puck, que aparece em várias histórias e contos folclóricos a partir do final do século XV.

Bem conhecido como um peralta simpático que habitava residências e de vez em quando cumpria tarefas domésticas, em alguns contos Robin Goodfellow é também o criado pessoal e o menino de recados de Oberon, o lendário rei das fadas. Ele é dotado do poder de mudar de forma ( ver Transfiguração) e de transformar os desejos em realidade, e usa seus poderes para castigar os malvados e premiar os bons. A aparição mais famosa de Puck ocorre na peça Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, em que faz papel de Cupido para um grupo de amantes infelizes numa floresta encantada. Rindo das atitudes ridículas de suas vítimas, Puck diz: "Meu Deus, como são tolos os mortais!"

Elfo

Algumas vezes extremamente irritante, outras muito simpático, Dobby, o elfo doméstico, é um exemplo para seus semelhantes. Quando Harry vê pela primeira vez a figurinha minúscula vestida apenas com um filtro de papel usado para fazer chá, não fica muito impressionado. Mas quando o bolo da tia Petúnia se arrebenta todo no chão da cozinha e não há ninguém para levar a culpa senão Harry, ele rapidamente aprende que os elfos são capazes de fazer tremendas travessuras mágicas.

Como aparecem no folclore de muitas nações, há elfos de todas as formas e tamanhos. Em sua maioria se parecem com seres humanos magros, em estado natural, mas podem mudar de forma ou desaparecer num piscar de olhos. Um elfo pode ser pequeno o bastante para dormir embaixo de um cogumelo o grande o bastante para se fazer passar por um ser humano. Dizem que os elfos escuros da Alemanha são muito feios, mas os elfos dinamarqueses são famosos por sua beleza. No folclore inglês, os elfos machos costumam ser descritos como velhos enrugados, mas as fêmeas são donzelas formosas, de cabelos dourados.

Dobby, o elfo ( cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta)

Os elfos de todos os países são especialistas em usar seus poderes sobrenaturais para interferir na vida dos humanos. Embora nunca tenhamos ouvido falar de outros elfos como Dobby e seus amigos, que adoram servir seus senhores humanos e se castigam batendo com a própria cabeça na parede em caso de desobediência, muitos elfos dedicam-se de bom grado a prestar ajuda nos assuntos domésticos. No conto de fadas "O Sapateiro e Seus Elfos", por exemplo, dois elfos resolvem ajudar um sapateiro pobre e faminto, confeccionando lindos sapatos todas as noites, com o couro que o artesão estende antes de ir dormir. Mas quando o sapateiro e sua esposa demonstram sua gratidão deixando um pequenino jogo de roupas novas para cada elfo, os elfos gritam de alegria, vestem suas novas roupas e vão embora correndo, sem nunca mais serem vistos.

Isso pode parecer uma reação indelicada diante de um gesto de bondade, mas até que é pouco, comparado com algumas das brincadeiras que os elfos aprontam. De fato, é difícil encontrar um elfo ( mesmo um elfo doméstico) que não tenha um lado travesso, e existem alguns que são francamente malvados. No folclore da Islândia e da Alemanha, os elfos raptam bebês, roubam gado, furtam comida e provocam doenças em seres humanos e nos animais das fazendas. Também sentam nas pessoas enquanto elas dormem, provocando pesadelos ( a palavra alemã para "pesadelo" é Alpdrücken, ou seja, "pressão de elfo"), e enfeitiçam jovens, por vezes mantendo-os enfeitiçados durante muito anos. A famosa história americana de Rip Van Winkle, que dorme durante vinte anos, se inspira nessa antiga crença popular.

Na Inglaterra, elfos maldosos levavam a culpa por tantas coisas ruins que foram criadas várias expressões para designar suas maldades. Na Idade Média diziam que pessoas ou bichos mortos subitamente devido a doenças misteriosas tinham sido atingidos pela flecha de um elfo. A prova de que esse ataques funestos ocorriam de fato eram as "flechas de elfo", pequenas pontas de flechas feitas de sílex, encontradas no campo ( objetos que, hoje sabemos, foram feitos por homens da Idade da Pedra e não por elfos) . Dizia-se que as pessoas nascidas com deformidades físicas tinham sido "marcadas por elfos" e que a vítima de um derrame paralisante ou deformador tinha sido "torcida por um elfo". Até o cabelo emaranhado era culpa dos elfos, que transformavam tranças lisas em emboladas "mechas de elfo".

Criaturas Mágicas 3

Diabretes

Quando Gilderoy Lockhart soltou um monte de diabretes da Cornualha no meio da sala de aula, ele provocou um tumulto completo: havia tinta de caneta, livros e vidro quebrado voando para todos os lados. O fato de os diabretes causarem tanto caos na aula de Lockhart nos diz muito sobre a personalidade do bom professor, porque essas pequenas fadas ruivas do oeste da Inglaterra são conhecidas por perturbar as pessoas que elas consideram preguiçosas. No folclore de Somerset, Devon, e Cornualha, os diabretes são conhecidos por ajudar as pessoas necessitadas, mas aqueles que não fazem sua parte ou esquecem de recompensar seus pequenos ajudantes com uma tigela de leite e uma lareira bem limpa para que eles dancem são aconselhados a não deixar seus bens mais preciosos à vista.

Apesar de terem o comportamento parecido com o de muitas outras fadas, os diabretes têm uma aparência inconfundível. Além de seus cabelos de um vermelho flamejante, podem ser reconhecidos por suas orelhas pontudas, seus narizes arrebitados e um estrabismo característico. Eles têm, em geral, cerca de vinte centímetros, apesar de algumas histórias sugerirem que podem ter o tamanho que quiserem. Os diabretes quase sempre se vestem de verde e geralmente usam um chapéu pontudo. Eles vivem no subsolo, ou em cavernas, prados e bosques, mas também podem ser convencidos a se mudarem para dentro de casa. Uma dona-de-casa que esteja querendo conseguir o auxílio dessas fadas - para ajudar a tecer ou para dar um beliscão em uma empregada preguiçosa - pode tentar deixar uma cesta de maçãs sob as árvores. É bom lembrar, contudo, que não se deve recompensar os diabretes com roupas novas. Assim como os elfos e outros ajudantes domésticos, eles deixarão a casa se receberem um presente assim.

Os diabretes escondem alguns truques por baixo de suas pequeninas mangas, alguns dos quais são bastante maléficos. Seu preferido é fazer os viajantes se perderem. Muita gente já passou pela experiência de andar em um lugar conhecido e, de repente, ficar completamente perdida, incapaz de encontrar qualquer ponto de referência. No oeste da Inglaterra, essa experiência desconcertante é conhecida como pixilated, que poderíamos traduzir como "ser guiado por um diabrete".

Os diabretes também são conhecidos por roubar cavalos, eles roubam os animais durante a noite e cavalgam em círculos, dando nós impossíveis de tirar em suas crinas e rabos. Outra forma de diversão noturna dessas criaturas é dançar sobre um anel de fadas na floresta ( ver Fada), ao som dos grilos e rãs.

Dragões


Os heróis das lendas ocidentais encaram uma grande variedade de demônios e monstros, mas só uns poucos ousaram desafiar o mais poderoso de todos - o enorme dragão que cospe fogo. Mais do que um triunfo, adicional no currículo do herói, o dragão representa, em muitas histórias, a etapa conclusiva na busca da glória. Portanto, enfrentar o temperamental Rabo-Córneo Húngaro é um desafio adequado para Harry, em sua busca da vitória no Torneio Tribruxo.

Os dragões foram personagens de destaque no mito e no folclore durante a maior parte da história. No Ocidente apareceram em antigos escritos da Babilônia, Egito, Grécia, Roma, Alemanha, Escandinávia e Ilhas Britânicas. A lista de guerreiros que combatem os dragões mais parece um catálogo de heróis. O herói grego e romano Hércules deu cabo de muitos dragões em sua longa carreira, entre os quais a famosa Hidra, com nove cabeças mortíferas. Diversos guerreiros babilônios combateram Tiamat, dragão conhecido como Rainha das Trevas, com cabeça e patas dianteiras de leão, patas traseiras de águia, asas emplumadas e corpo coberto de escamas, invulnerável a todas as armas. Thor, o deus do trovão nórdico, sucumbiu ao veneno da Serpente Midgard, dragão enorme que circundava a Terra inteira, mas não sem ter antes desferido um golpe fatal na criatura. Beowulf, considerado um dos primeiros heróis da literatura inglesa, também encontrou a morte ao matar um dragão, e os cavaleiros medievais consideravam a caça aos dragões como um passatempo bastante comum.


A descrição física dos dragões se mantém quase igual em todas as histórias. Representados, em geral, como serpentes gigantescas ( a palavra grega drakon significa "grande serpente") , os dragões costumavam ser revestidos de escamas impenetráveis e munidos de um ou dois pares de pernas e de asas semelhantes às do morcego. A maioria tinha cabeça em forma de cunha e caninos compridos, às vezes venenosos. Alguns também ostentavam um par de chifres, garras enormes e um rabo com esporões, ou então bifurcado. Os dragões galeses eram, não raro, vermelhos, os dragões alemães, brancos, e os outros dragões, pretos ou amarelos.

Quase todos os dragões tinham uma coisa em comum - seu hálito de fogo. As enormes bolas de fogo que essas criaturas podiam lançar, em baforadas, eram mais do que um simples risco para os cavaleiros destemidos: dizia-se que elas podiam devastar países inteiros! E quando um herói se mostrava esperto o bastante para evitar as chamas e matar seu inimigo, um dragão ainda podia ser perigoso, mesmo depois de morto. Dizia-se que se tocar no sangue do dragão provocava a morte e que, se os dentes do dragão fossem plantados no solo, faziam brotar guerreiros sanguinários armados.

Uma fera tão ameaçadora só podia ser mesmo ser vista como um inimigo natural da humanidade. Dizia-se que os dragões eram criaturas astutas, comilonas e cruéis, que moravam em cavernas enormes ou em crateras de vulcões, bem como em oceanos e lagos. Periodicamente, matavam sua fome comendo rebanhos inteiros ou então devorando pessoas. Em muitas lendas, um dragão raptava uma donzela e sumia com ela, às vezes para devorá-la, ou apenas para gozar de sua companhia. Embora não tivessem nenhuma necessidade de dinheiro, os dragões também eram famosos por sua ganância, guardando enormes quantidades de ouro, prata e outras riquezas ( Os dragões do mar gostavam de acumular pérolas) . Dizia-se que o dragão conhecia a composição exata de seu tesouro e percebia imediatamente, reagindo com violência, se uma simples moeda fosse retirada.

Na Idade Média, os dragões foram associados à serpente bíblica que fez com que Adão e Eva fossem expulsos do Jardim do Éden. Os dragões foram então descritos e pintados como representantes do pecado, da maldade e às vezes do próprio Diabo. A clássica luta do cavaleiro contra o dragão representava, portanto, a batalha mais ampla do bem contra o mal. Dizia-se que muitos santos cristãos haviam enfrentado dragões. Um dos mais famosos foi São Jorge, que, segundo a lenda, viajava perto de Silena, na Líbia, quando ouviu falar do dragão que habitava um lago na região. A exemplo de muitos outros, esse dragão adorava devorar donzelas e não permitia que o povo tivesse acesso à única fonte de água da região, a menos que lhe dessem uma donzela por dia. Exércitos inteiros morreram massacrados na tentativa de combater a criatura. No dia em que São Jorge chegou, a filha do rei, a única donzela que ainda restava, ia ser sacrificada. São Jorge imediatamente se ofereceu para combater o dragão e conseguiu matá-lo com um só golpe de sua lança.

O êxito de São Jorge foi muito admirado, sobretudo depois que se tornou santo padroeiro da Inglaterra, no século XIV. Os dragões ficaram ligados ao cavalheirismo e ao romance. Qualquer um dos cavaleiros retratados na literatura tinha que matar ao menos um monstro cuspidor de fogo e salvar uma donzela formosa para ser considerado um herói autêntico. Nas lendas do rei Arthur, Lancelot e Tristão, às vezes citados como os mais nobres cavaleiros da Távola Redonda, mataram dragões. A tradição afirma que foram essas pessoas de espírito destemido, ávidas de dar provas da sua fé cristã e de seu heroísmo, que levaram os dragões à extinção. É claro, contudo, que Carlinhos Weasley tem uma outra versão para essa história.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Criaturas Mágicas 2

Cão de Três Cabeças

Fofo, o gigantesco cachorro de três cabeças que é o guardião da Pedra Filosofal em Hogwarts, tem uma herança mitológica que remonta a mais de três mil anos. Seu antepassado mais importante foi Cérbero, o feroz cão da mitologia grega e romana que guardava a entrada para o mundo subterrâneo das almas. No século VIII a.C., o poeta Hesíodo descreveu Cérbero como um cão de cinquenta cabeças e uma voz metálica. Mas, pelo visto, apenas dois séculos depois, cinquenta cabeças já parecia um pouco demais, mesmo para um feroz cão de guarda. Os artistas passaram, então, a retratar Cérbero com apenas três cabeças, uma cauda de dragão e a coluna vertebral repleta de serpentes. Essa se tornou a imagem oficial da fera.

Os gregos antigos acreditavam que, aquando uma pessoa morria, seu espírito descia para outro mundo. Governado pelo deus Hades e sua mulher Perséfone, esse "mundo subterrâneo" era o destino de todas as almas, boas ou más, mas a qualidade da vida que teriam lá dependia de como haviam se comportado na Terra. Como cão de guarda do mundo subterrâneo, o trabalho de Cérbero era impedir que alguém fugisse do reino de Hades depois de ter cruzado seus portões. Filho de dois monstros terríveis ( o pai era um gigante cuspidor de fogo coberto de serpentes e mãe era uma metade-mulher, metade-serpente que devorava homens) , Cérbero não tinha dificuldade em assustar as pessoas. Se a simples visão da criatura não fosse suficiente, os dentes afiados das três cabeças do cão feroz e os espinhos de sua cauda podiam ser usados com bastante eficácia.

Fofo, o cão de três cabeças de Hagrid( cena do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal).


Apenas alguns personagens da mitologia conseguiram enganar Cérbero e completar a jornada de volta para o mundo dos vivos. A ninfa Psique conseguiu escapar dando ao cachorro um bolo de mel envenenado, e Enéias, herói da Guerra de Tróia, seguiu seu exemplo. O músico Orfeu, que desceu ao mundo subterrâneo em busca de sua mulher morta, Eurídice, tocou sua lira de forma tão bela que Cérbero fechou seus olhos, encantado, e o deixou passar. ( Fofo reage da mesma forma à música) . E Hércules, completando o último dos doze trabalhos, lutou com Cérbero com as próprias mãos e conseguiu levar a criatura de volta para a Terra por um breve período de tempo.

Diz a lenda que, durante seus dias no mundo dos vivos, Cérbero babou, como qualquer outro cachorro. Algumas gotas de sua saliva caíram na terra, de onde nasceu uma planta venenosa chamada acônito. Também conhecida como mata-lobos, o acônito é uma planta de verdade que era usada nas poções e unguentos de bruxas, tanto fictícias quanto reais.

Centauro

Ao contrário dos centauros meditativos e filosóficos que ficam vagando pela Floresta Proibida, os centauros originais da mitologia grega eram um bando de desordeiros. Vivendo em rebanhos nas montanhas do norte da Grécia, levavam um estilo de vida turbulento e sem lei. Metade homem, metade cavalo, os centauros eram magníficos de se olhar, mas estavam sempre prontos para beber, lutar e seduzir mulheres humanas. Certa vez, convidados para o casamento do seu vizinho Pirítoo, rei dos lápitas, os centauros embriagados atacaram as mulheres convidadas, tentaram raptar a noiva e com isso começaram uma batalha sangrenta contra o anfitrião e seus aliados - luta que os centauros perderam, para o grande alívio de todos os que viviam na região.


Como acontece em qualquer família numerosa, alguns poucos centauros se rebelaram contra os hábitos bárbaros de seus semelhantes, preferindo uma vida virtuosa e dedicada à contemplação intelectual. O mais famoso deles é Quíron, que foi professor e mentor de muitos jovens humanos destinados à celebridade, entre eles Hércules, Aquiles ( o herói da Guerra de Tróia) , Jasão ( capitão do barco Argo) e Asclépio, deus da medicina. Conhecido por sua sabedoria e por seu sentido de justiça, Quíron possuía conhecimentos sobre medicina, caça, herbologia e navegação celeste. Também praticou a astrologia e a adivinhação. A julgar pela capacidade que tinham Ronan, Agouro e Firenze, de ler o futuro no céu, desconfiamos que esse centauros podem ser descendentes do ramo da família ao qual Quíron pertencia.

Os mitos contam que Quíron podia ter continuado a instruir jovens heróis para sempre, pois nasceu imortal. Mas preferiu abrir mão da imortalidade depois de se ferir acidentalmente com uma flecha envenenada pertencente ao seu amigo Hércules. Quando a dor se tornou insuportável, pediu a Zeus que o deixasse morrer. Zeus atendeu o pedido de Quíron, mas, para que continuasse imortal, colocou-o no céu na forma da constelação de Centauro.

Criaturas Mágicas 1

Anão

Entregar cartões musicais no Dia dos Namorados para magos adolescentes não é nem de longe o tipo de trabalho que um anão costuma fazer. Segundo a lenda, esses barbudinhos durões passam a maior parte dos dias trabalhando no subsolo, onde garimpam ouro e outros metais preciosos. Como se orgulham de seu trabalho pesado, não admira que cumpram seus afazeres frívolos em Hogwarts com a cara de crianças obrigadas a comer couve amarga.

No folclore da Alemanha e da Escandinávia, os anões são uma raça de seres sobrenaturais que guardam tesouros magníficos, enterrados nas profundezas do solo. Embora tenham o poder de se tornarem invisíveis ou assumir qualquer forma, em geral têm o aspecto de homens pequenos, com cabeça grande, cara enrugada, barba comprida e grisalha, pernas e braços malformados. Criaturas sociáveis, vivem em comunidades no interior de montanhas, cavernas ou em deslumbrantes palácios subterrâneos. Por usarem roupas de cores pardacentas, confundem-se facilmente com as rochas e os arbustos, o que lhes permite entrar e sair de seu lar subterrâneo sem serem percebidos por olhos humanos. Na tradição de certas regiões, os anões, assim como os trasgos, viram pedra quando expostos à luz do sol.

Os anões são metalúrgicos talentosos e seus poderes mágicos os conduzem aos mais ricos filões de metais preciosos. Os anões mais bem-dotados para a arte trabalham com o ouro e a prata, modelando jóias e objetos decorativos considerados mais bonitos do que aqueles criados pelos humanos. Outros forjam o ferro para fabricar armas perigosas, dotadas de poderes mágicos. Thor, o deus escandinavo do trovão, sabiamente escolheu anões para fabricar sua principal ferramenta - um martelo poderoso que, quando lançado, disparava um relâmpago e depois voltava para a mão do seu dono. Os anões também trabalhavam para Odin, o deus escandinavo supremo, para o qual criaram uma lança mágica que sempre atingia o seu alvo.

Em certas regiões da Alemanha, dizem que os mineradores às vezes encontram anões, em geral quando rompem uma parede subterrânea e se vêem diante de uma oficina ou de um palácio dos anões. Contanto que os humanos não sejam rudes, os anões não ficam ofendidos com essas invasões e podem até dar conselhos sobre onde encontrar os melhores veios de minério. Os anões também podem fazer soar o alarme em uma mina quando houver perigo por um acúmulo de gases nocivos ou devido a um provável desabamento do teto. Porém, se os homenzinhos não forem tratados com o devido respeito, podem inverter os papéis e causar essas catástrofes. Se um minerador for imprudente o bastante para roubar ouro e jóias do tesouro de um anão, não só irá sofrer muitas desgraças como também, quando chegar em casa e abrir sua mochila, todo o tesouro terá se transformado em folhas.

Como vivem centenas de anos e podem ver o futuro, os anões são considerados muito sábios. Segundo a lenda, em certas cidades alemãs, tempos atrás, os anões compartilhavam sua sabedoria com os humanos, davam conselhos, contavam histórias e ajudavam a cumprir tarefas domésticas, em troca de um local aquecido para dormir, nos longos meses de inverno. Mas os anões abandonaram esse costume quando os aldeões se mostraram excessivamente curiosos sobre os pezinhos dos seus hóspedes, que sempre se mantinham ocultos embaixo de casacos que iam até o chão. Interessados em saber o que os anões estavam escondendo, os proprietários das casas polvilharam o chão com cinzas, na esperança de que os homenzinhos deixassem pegadas reveladoras. Em vez disso, os anões, muito sensíveis quanto à sua aparência, se aborreceram e deixaram a cidade, voltando para sempre à sua morada subterrânea. Alguns dizem que os anões têm patas de ganso, de corvo ou de bode; outros afirmam que têm pés humanos virados para trás - mas isso são apenas rumores não confirmados.


Bicho-Papão

O bicho-papão é bem conhecido no folclore do norte da Inglaterra como um espírito capaz de mudar de forma que, embora geralmente invisível, pode materializar-se como um ser humano, um animal, um esqueleto ou até um demônio. A maioria dos bichos-papões, como aquele que o professor Lupin guarda dentro de um armário em Hogwarts, adora assustar as pessoas. Alguns são apenas travessos, assemelhando-se ao poltergeist em seus esforços para produzir o caos em uma casa bem-arrumada. Segundo a tradição, sabemos que uma dessas criaturas intrometidas está por perto quanto portas batem sem motivo, velas se apagam de repente, ferramentas somem e ruídos misteriosos ecoam pela casa toda. Outros bichos-papões de natureza mais perniciosa espreitam no escuro, na beira das estradas, e assustam viajantes solitários, por vezes causando ferimento ou morte.

O bicho-papão é um parente, e alguns talvez digam até que é o irmão maligno, do brownie, uma criatura bem mais amistosa. Os brownies aparecem nas lendas inglesas como ajudantes nas tarefas domésticas, que assumem grande responsabilidade pelo bom estado do lar onde habitam e trazem sorte ao dono da casa. Podem limpar a sujeira, completar tarefas inacabadas, fazer pão, colher cereais, pastorear ovelhas e consertar ferramentas quebradas e roupas rasgadas. Em troca de seus serviços, eles têm direito a ganhar toda noite uma tigela de leite ou coalhada e uma fatia de bolo. Se uma recompensa maior for oferecida, será tomada como uma ofensa, e os brownies se ofendem e se zangam facilmente. Então, pode aparecer um bicho-papão no lugar de um brownie.

Acredita-se que os bichos-papões domésticos sejam escuros, peludos e feios, com mãos e pés exageradamente grandes. Para completar o visual, vestem-se de trapos. Séculos atrás, quando se achava que uma casa estava infestada por um bicho-papão, o proprietário em geral fazia um esforço enorme para se livrar dele. Mas os bichos-papões eram teimosos e às vezes uma família podia se ver forçada a mudar para outra cidade a fim de escapar. Mesmo assim, nem sempre funcionava: há a história de um fazendeiro que ficou tão farto da destruição causada por um bicho-papão que fez as malas da família toda, juntou seus pertences e partiu para uma nova residência. Quando estava saindo de casa, um vizinho surpreso perguntou se ele estava se mudando. Antes que o homem pudesse responder, uma voz vinda de dentro de suas malas disse, muito alegre:"Sim, estamos indo embora!" O fazendeiro e sua família deram meia-volta e voltaram tristes para casa, sabendo que não havia como fugir do bicho-papão espertalhão.


A Magia Hoje

A crença na magia entrou em declínio em meados do século XVII, quando as pessoas começaram a descobrir maneiras mais práticas e eficientes de enfrentar seus problemas. A química moderna permitiu a criação de novos medicamentos que substituíram os tratamentos criados segundo os princípios da herbologia, da astrologia e da magia natural. Com a ascensão do pensamento científico, as idéias sobre como o mundo funcionava passaram a ser testadas em experiências e o poder das palavras mágicas, feitiços e talismãs foi cada vez mais questionado.

Hoje, a idéia de conseguir poderes extraordinário por meio da invocação de espíritos desapareceu na maior parte do mundo moderno. Mas também é verdade que o mundo é hoje mais mágico do que nunca. Coisas julgadas impossíveis, como voar ou conversar com uma pessoa que está do outro lado do mundo, são fatos cotidianos. As aspirações da magia natural - descobrir e controlar as forças ocultas da natureza - foram realizadas pela ciência moderna. E, embora os princípios da astrologia tenham sido invalidados, revelou-se, ironicamente, que todas as virtudes ocultas na natureza vieram , de fato, das estrelas, pois agora sabemos que todos os elementos do mundo natural, inclusive nós mesmos, tiveram origem na matéria oriunda da explosão de sóis. Assim como era para os antigos, o universo continua um lugar surpreendente, repleto de maravilhas, cheio de possibilidades impossíveis e de magia.

As aventuras de Harry Potter e seus inimigos têm apreciadas exatamente da mesma forma que os romances medievais, no passado, só que por um número de pessoas muito maior. A magia teatral é mais popular do que em qualquer outra época. Seja na forma literária, seja na forma teatral, a magia confirma a nossa intuição de que há uma "outra realidade". Embora a magia possa não fazer sentido para nossas mentes lógicas, faz muito sentido para nossas mentes criativas e intuitivas, que funcionam segundo um conjunto de regras distinto. O apelo da magia parece não ter nada a ver com o fato de ela ser ou não "real". A magia veio da imaginação e alimenta a imaginação. Acreditamos que será sempre assim.

Magia Ritual

Mas a possibilidade de invocar espíritos nunca ficou inteiramente esquecida. Entre os séculos XV e XVIII surgiu em toda a Europa, e em vários idiomas, uma série sensacional de livros, chamados grimoires (ou Livros Negros) . Em sua maioria, eram escritos de forma anônima mas atribuídos a fontes antigas ( quanto mais antigo parecesse o livro, mais secreta a sabedoria que ele parecia conter) , inclusive Moisés, Aristóteles, Noé, Alexandre o Grande e o famosíssimo rei bíblico Salomão. As vendas e a circulação eram secretas, no início, pois possuir e usar um livro desses era um crime grave. Essas obras ensinavam métodos que supostamente permitiam invocar espíritos e demônios de épocas antigas.

Os grimoires prometiam magia para todos os fins imagináveis: conseguir amor, riqueza, beleza, saúde, felicidade e fama. Derrotar, amaldiçoar ou matar inimigos. Ou ainda começar guerras, curar doentes, adoecer pessoas sãs, ficar invisível, encontrar tesouros, voar, predizer o futuro e abrir portas ser ter a chave. Não admira que essas promessas tenham tornado esses livros muito populares, sobretudo durante o século XVII, quando edições baratas de certos grimoires se tornaram amplamente acessíveis. Estudantes e sacerdotes, crentes devotados e gente apenas curiosa, todos seguiam as instruções para ver o que acontecia.

Como exigiam cerimônias e rituais complicados, os métodos ensinados pelos grimoires eram conhecidos como "magia ritual" ou "magia cerimonial". Em essência, a magia ritual seguia os mesmos passos utilizados, milhares de anos antes, para invocar deuses e espíritos. Primeiro, o mágico traçava um grande círculo no chão, no qual inscrevia palavras mágicas, nomes sagrados e símbolos. Em seguida, se colocava dentro do círculo ( que o protegia dos espíritos que ia invocar) , pronunciava os encantamentos que fariam surgir o demônio e que garantiriam que seus desejos fossem atendidos. Depois, apresentava suas exigências e mandava o demônio embora. Pelo menos, era isso que se esperava.

Mas, antes que tudo isso pudesse ser posto à prova, haveria semanas, e até meses, de preparação. Segundo muitos grimoires, todo o aparato usado na cerimônia - velas, perfumes, incenso, a espada usada para traçar o círculo mágico, a varinha mágica - tinha de ser novo em folha. Também não se podia simplesmente ir ao Beco Diagonal e comprar as coisas necessárias. As velas cerimoniais tinham de ser moldadas pessoalmente pelo mágico, com cera fabricada por abelhas que nunca tivessem feito cera antes. A varinha mágica tinha de ser recém-entalhada, de um galho de aveleira cortado de uma árvore com um golpe de uma espada recém-fabricada. As tintas coloridas usadas para traçar desenhos nos talismãs mágicos tinham de ser preparadas na hora e guardadas num tinteiro novo. Além disso, segundo A Chave de Salomão, a pluma usada para desenhar os talismãs tinha de ser feita com a terceira pena da asa direita de um ganso. Cada etapa tinha de ser cumprida segundo os princípios da astrologia, sob a influência dos planetas adequados, conforme as várias épocas do ano. O mágico também tinha de se preparar espiritualmente para a cerimônia mediante uma dieta especial, jejum, banho ritual e outros procedimentos de purificação.

Nada disso, é claro, garantia que algo iria acontecer durante a cerimônia. Na verdade, as instruções eram tão minuciosas, tão específicas e, em geral, tão bizarras, que era quase impossível executar tudo conforme vinha determinado. Não admira, portanto, que, apesar de repetidas súplicas, encantamentos e de toda a sinceridade, os espíritos costumassem não aparecer, exceto na imaginação de certos praticantes e dos autores de grimoires. Mas era fácil explicar os fracassos: com tantos detalhes complicados, em algum ponto, de alguma forma, tinha de se cometer um engano.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Magia Natural

A magia se tornou novamente respeitável nos séculos XV e XVI, devido à ascensão da "magia natural", que não supõe a ajuda de demônios nem de seres sobrenaturais. A magia natural, uma espécie de ciência na época, se baseava na crença de que tudo na natureza - gente, plantas, bichos, pedras e minerais - estava repleto de forças ocultas, chamadas de "virtudes ocultas". Acreditava-se, por exemplo, que as pedras preciosas continham o poder de curar doenças, afetar o estado de ânimo e até trazer sorte. As ervas tinham virtudes ocultas, capazes de promover a cura, e às vezes bastava suspendê-las acima do leito de um paciente. Até cores e números tinham poderes ocultos. Além disso, todos os elementos da natureza estavam ligados entre si, por meios fascinantes, porém ocultos. Os mágicos naturais - categoria que incluía os médicos - tinham o desafio de descobrir essas forças e essas ligações e utilizá-las de forma positiva.

Mas não era nada simples ser um mágico natural sério. Era preciso pesquisar, estudar e observar cuidadosamente a natureza. Às vezes a "virtude oculta" de uma substância era revelada por sua aparência. Por exemplo, a erva scorpius ( cujo nome deriva da sua semelhança com o escorpião) era tida como um remédio eficaz contra picadas de aranha. Acreditava-se que plantas e animais com formatos semelhantes tinham propriedades similares. Porém o mais importante para dominar a magia natural era o estudo da astrologia, pois acreditava-se que muitas relações e propriedades ocultas na natureza emanavam diretamente dos planetas e das estrelas. A pedra preciosa esmeralda, o metal cobre e a cor verde, por exemplo, possuíam propriedades oriundas do planeta Vênus. Ciente disso, o mágico natural estava apto a usar esses elementos em diversas combinações, na tentativa de afetar áreas da vida "regidas" por Vênus, como a saúde, a beleza e o amor. Usar o metal chumbo, a pedra ônix e a cor negra era um meio provável de produzir o efeito exatamente contrário, pois os três eram regidos por Saturno e ligados à morte e ao abatimento.

Além disso, o praticante precisava ter vastos conhecimentos de anatomia e herbologia, pois curar doenças era um objetivo importante na magia natural, e uma doença provocada por uma influência planetária podia ser curada por uma erva regida pelo mesmo planeta ou, em certos casos, pelo planeta oposto. O mágico natural era um tipo de mago do mundo natural e um mestre das combinações - misturando, combinando e explorando as propriedades ocultas da natureza de modo a alcançar resultados milagrosos e benéficos.

Enquanto nos séculos IX ou X uma pessoa respeitável na certa evitaria qualquer ligação com a magia, no Renascimento a magia natural era aceita como uma área de estudo adequada a intelectuais, médicos, sacerdotes e todos que tivessem um sentimento de curiosidade científica. De fato, os estudiosos da época se sentiriam muito à vontade se estivessem em Hogwarts, onde muitas matérias da magia natural - herbologia, astrologia, quiromancia, aritmancia e a preparação de horóscopos - fazem parte do currículo.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Magia na Literatura Medieval

A partir de meados do século XII, a magia começou a ser apresentada de forma muito mais favorável, pelo menos por escritores de ficção. Primeiro na França e depois na Alemanha e Inglaterra, poetas criaram aventuras maravilhosas, passadas em épocas remotas e repletas de magia, com façanhas de cavaleiros valentes, lindas donzelas e reis heróicos. Esses relatos, hoje conhecidos como "romances medievais", diminuíam as associações negativas existentes entre a magia, os demônios e a bruxaria. A palavra "magia" era muitas vezes evitada e os autores, em seu lugar, usavam "maravilha", "assombro" e "encantamento". Os heróis possuíam espadas que lhes davam força sobre-humana, pratos que se enchiam de comida sozinhos, barcos e carruagens que não precisavam de cocheiro e anéis que tornavam seu usuário invulnerável ao fogo, ao afogamento e a outras catástrofes. Fadas e monstros da mitologia também apareciam com muita regularidade e muitas vezes era uma fada que dava ao herói exatamente aquilo de que ele precisava para concluir a sua missão. Poções, adivinhação astrológica, feitiços e ervas que curavam tinham "magia negra" ainda persistisse, com feiticeiros e bruxas malignos que surgiam de vez em quando, a maior parte desses relatos apresentava a magia de forma positiva e o público gostava tanto de sua leitura quanto nós, hoje em dia.

A Reputação da Magia

Em geral, a magia era mais temida do que admirada no mundo antigo. Mesmo quem nada sabia a respeito acreditava que podia ser prejudicado ou influenciado pela magia de outra pessoa. Se um político se perdia no meio de um discurso ou se alguém ficava doente sem mais nem menos, não era raro supor que a culpa era da maldição de um inimigo. A reputação sinistra da magia tomou impulso por causa de suas ligações com a bruxaria, na imaginação popular. A literatura grega e romana era repleta de descrições muito imaginativas, e muitas vezes apavorantes, de bruxas e de seus métodos desleais. Ericto, uma bruxa criada pelo escritor grego Luciano, do século II, usa partes do corpo humano em suas poções, enterra os seus inimigos ainda vivos e traz cadáveres putrefatos de volta à vida. Embora obviamente se trate de um personagem de ficção ( aliás, um personagem inesquecível), Ericto, e outras bruxas como ela, exerceu um impacto muito forte na imagem popular da magia e da bruxaria.

Embora a magia fosse popular entre o público que queria consultar adivinhos e comprar encantamentos e amuletos protetores, as pessoas em posições de poder desconfiavam de astrólogos que prediziam sua morte e de feiticeiros que podiam ser contratados por seus inimigos para prejudicá-los por meio de maldições. Em 81 a.C., o ditador romano Cornélio Sula decretou a pena de morte para "videntes, encantadores e aqueles que usam a feitiçaria com propósitos malévolos, que invocam demônios, desencadeiam as forças da natureza [ ou] empregam bonecos de cera com fins destrutivos". Uma série de leis do mesmo tipo foi instituída nos séculos seguintes, de tal forma que, no século IV d.C., todas as formas de magia e adivinhação foram decretadas ilegais no Império Romano. Ao mesmo tempo, a Igreja cristã, que vinha ganhando poder rapidamente, fez um esforço concentrado para suprimir a magia, tida como concorrente da fé cristã. Decretou-se que todas as formas de magia eram ligadas aos demônios ( e, portanto, ao Diabo) e foram proibidas pela lei da Igreja.

A igreja e o governo continuaram a trabalhar juntos contra a magia, ao longo da Idade Média. No entanto as crenças e os métodos mágicos, sobretudo quando ligados à medicina popular ( curas mágicas), continuaram a ser transmitidos secretamente a tornaram-se parte do repertório dos "rezadores" ou magos de aldeia dos séculos posteriores ( ver herbologia, mágico).

Alta Magia e Baixa Magia

A magia antiga é muitas vezes dividida em duas categorias - "alta magia" e "baixa magia" - que podem ser diferenciadas, fundamentalmente, pelos objetivos de seus praticantes.

A alta magia, que tem muito em comum com a religião, era motivada pelo desejo de adquirir um tipo de sabedoria inacessível por meio da experiência comum. Quando os altos magos ( entre os quais figuras notáveis como o filósofo e matemático grego Pitágoras) apelavam a deuses e espíritos, tinham os objetivos mais elevados. Esperavam receber visões proféticas, tornar-se capazes de curar doenças, alcançar o conhecimento de si mesmos ou até se tornarem semelhantes aos deuses.

Muitos sistemas de alta magia também ensinavam que todo ser humano era uma versão do universo em miniatura e continha dentro de si todos os elementos do mundo externo. Acreditava-se que, ao desenvolver seus poderes interiores de imaginação e de intuição, o mágico acabaria por tornar-se capaz de provocar mudanças reais ( e aparentemente sobrenaturais) no mundo, simplesmente concentrando suas emoções, sua vontade e seu desejo. Mas adquirir os poderes prometidos pela "alta magia" era tarefa para uma vida inteira.

Muitas outras pessoas se dedicavam à magia com objetivos mais imediatos e mais práticos. Queriam trazer sorte, riqueza, fama, sucesso político, saúde e beleza. Desejavam prejudicar inimigos e conseguir o amor, vencer no esporte, conhecer o futuro e resolver problemas práticos cotidianos. A busca desses objetivos é, em geral, conhecida como "baixa magia" - categoria que, popularmente, inclui também ler a sorte, preparar poções, lançar feitiços e usar encantamentos e amuletos. A partir do século IV a.C., centenas ou milhares de homens e mulheres tornaram-se feiticeiros e adivinhos profissionais, oferecendo magia em troca de um pagamento. Embora muitos deles tivessem reputação de fraudulentos, os registros históricos mostram que pessoas de todas as classes sociais consultavam esses mágicos profissionais com regularidade, alguns publicamente, outros às escondidas.