quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Criaturas Mágicas 5

Fada

Os diabretes que correm alvoroçados na aula de Gilderoy Lockhart, os leprechauns que fazem chover ouro sobre o campo de Quadribol e os elfos domésticos que trabalham na cozinha de Hogwarts pertencem, todos eles, a uma família mais ampla conhecida como fadas. Denominadas frequentemente "povo miúdo", "povo pequenino", "povo do bem" ou "bons vizinhos", as fadas formam uma vasta comunidade internacional de seres imortais e sobrenaturais que muito raramente são vistos pelos humanos. Embora mais conhecidas através das lendas inglesas, essas criaturas mágicas ocupam uma posição de destaque no folclore de países do mundo inteiro, desde a Suécia até o Irã e a China. Muitos de nós estamos familiarizados com as fadas por causa das histórias infantis modernas, onde elas aparecem, em geral, como criaturas minúsculas e bem-humoradas, de coração generoso. Porém, séculos atrás, a crença nas fadas englobava uma larga variedade de seres pequenos e grandes, malvados e bondosos, assustadores e engraçados, lindos e feios - desde o mortífero barrete vermelho das regiões fronteiriças da Escócia até a bondosa fada-madrinha da Cinderela.

A palavra "fada" deriva do latim fata, ou seja, fado, que se refere aos Fados da mitologia. São três mulheres que tecem os fios da vida e controlam o destino de todas as pessoas, desde o nascimento até a morte. Assim como acontece com os Fados, acreditava-se que as fadas interferiam ativamente na vida dos mortais, ajudando-os quando tinham vontade, mas também lhes causando dor e infelicidade. Na Idade Média, as fadas levavam a culpa por um grande número de doenças, desde erupções na pele até tuberculose. Machucados, câimbras e dores reumáticas eram atribuídos aos beliscões dos dedos de fadas zangadas e invisíveis. Dizia-se que as vítimas de ataque do coração, paralisia ou enfermidades misteriosas tinham sido "alvejadas por elfos", como se tivessem sido feridas pela flecha invisível de um elfo. As mães sabiam que nunca deveriam deixar seus recém-nascidos fora de vista, sob o risco de uma fada roubar o bebê e deixar no lugar uma criança falsa e doentia, conhecida como criança trocada.

Em meados do século XVI, o medo das fadas tinha sido substituído pelo medo das bruxas. As fadas ainda podiam ser criaturas brincalhonas e travessas, como o hinkypunk , mas, a partir de então, eram geralmente vistas como criaturas imaginativas, bondosas e amantes da diversão, que simpatizavam com os humanos. A tradição das fadas, vasta e diversificada, refere-se a reinos nas florestas habitados por criaturas minúsculas, vestidas com tecidos de primorosos tons de azul, verde e dourado. Embora costumem ter a aparência de seres humanos lindíssimos, as fadas podem mudar de forma para assumir o aspecto de animais ou se tornar invisíveis quando desejam. Grandes amantes da música, elas dançam ao redor de cogumelos, ao luar, ao som de flautinhas e harpas minúsculas. Diversas canções folclóricas escocesas são consideradas cantigas de fadas, ensinadas a gaitistas mortais atraídos até o Reino das Fadas pelas lindas melodias. Os humanos seduzidos a entrar num reino de fadas em geral se sentem perdidos no tempo, de modo que, quando retornam, descobrem que muitos anos se passaram num piscar de olhos. Mas os mortais que partem resolvidos a encontrar o Reino das Fadas raramente o conseguem, pois, segundo a lenda, o Reino das Fadas só pode ser achado por acaso.

Nem todas as fadas são adeptas de uma vida idílica e ociosa. Muitos contos folclóricos falam de fadas domésticas - brownies, diabretes e alguns elfos - que preferem viver com os humanos e ficam contentes ao ajudá-los nos afazeres domésticos, em troca de uma tigela de coalhada, à noite, ou de uma fatia de bolo. Aqueles que convivem com as fadas devem conhecer bem suas regras de etiqueta, pois elas se ofendem com facilidade. Se a pessoa não mantiver a lareira limpa ou se tentar pagar às fadas pelos seus serviços, elas podem expressar seu descontentamento tombando latas de lixo, quebrando pratos ou fazendo a vaca parar de dar leite. Mas o melhor é fazer vista grossa para esses acessos de mau humor, pois hoje, assim como no passado, é difícil encontrar alguém para nos ajudar com as tarefas domésticas.

Fênix

A coisa mais impressionante a respeito de uma fênix, como Harry descobre enquanto espera no escritório de Alvo Dumbledore, é que periodicamente - a cada quinhentos anos, mais ou menos - esse pássaro lendário pega fogo, é reduzido a cinzas e renasce dessas cinzas.

Na mitologia da antiga Grécia e Egito esse ciclo de morte e renascimento pelo fogo era associado ao ciclo do Sol, que "morria" toda noite, mergulhando o mundo na escuridão, e nascia de novo no dia seguinte. Durante a Idade Média, a fênix passou a fazer parte do simbolismo cristão, representado a morte, a ressurreição e a vida eterna. Hoje, é usada como metáfora para uma recuperação após uma fase ruim. Quando alguém supera uma derrota ou se recupera de uma tragédia terrível, dizemos que essa pessoa "se ergueu das cinzas". A fênix também faz parte, de uma forma um pouco diferente, da mitologia chinesa, onde foi, durante séculos, um símbolo de poder, integridade, lealdade, honestidade e justiça.

Fawkes, a fênix de Dumbledore ( cena do filme Harry Potter e a Câmara Secreta)

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Os escritores clássicos da Grécia e de Roma contam que só havia uma fênix no mundo. Ela vivia na Arábia, perto de uma nascente de água fresca onde se banhava todas as manhãs e entoava uma canção encantadora. "Parte de sua plumagem é dourada, a outra parte é vermelha, e ela se parece muito com uma águia tanto na forma quanto no tamanho", escreveu o historiador grego Heródoto, que fazia uma pequena ressalva, dizendo: "Eu nunca vi o animal, exceto em desenhos". A fênix alimentava-se de olíbano, canela e mirra. Quando sentia que seu fim estava próximo, juntava os galhos e cascas dessas plantas aromáticas e construía um último ninho - alguns o chamavam de pira funerária - no alto de uma palmeira ou de um carvalho. Lá, ela batia suas asas bem rápido até pegar fogo e, então, era reduzida a um monte de cinzas, de onde surgia uma nova fênix, inteiramente reconstituída. Depois de ganhar força e testar suas asas, a nova fênix juntava as cinzas do seu antigo eu, colocava-as dentro de um ovo feito de mirra e o levava para o Templo do Sol, em Heliópolis, no Egito, onde o colocava no altar do deus-sol, Rá. A fênix estava, então, livre para voltar para a Arábia e começar outros quinhentos anos de vida.

Apesar de Fawkes, a fênix de Dumbledore, se parecer com o lendário pássaro da mitologia clássica, ela também possui algumas características da fênix chinesa. É o pássaro chinês, com as garras projetadas e as asas abertas, que geralmente é representado atacando cobras tais como o basilisco. Apesar de não haver precedentes históricos para a habilidade de Fawkes de curar feridas com suas lágrimas ou dar poder a varinhas mágicas com as penas de seu rabo, suspeitamos que ainda há muito para se descobrir sobre esse pássaro notável.

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