quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Criaturas Mágicas 2

Cão de Três Cabeças

Fofo, o gigantesco cachorro de três cabeças que é o guardião da Pedra Filosofal em Hogwarts, tem uma herança mitológica que remonta a mais de três mil anos. Seu antepassado mais importante foi Cérbero, o feroz cão da mitologia grega e romana que guardava a entrada para o mundo subterrâneo das almas. No século VIII a.C., o poeta Hesíodo descreveu Cérbero como um cão de cinquenta cabeças e uma voz metálica. Mas, pelo visto, apenas dois séculos depois, cinquenta cabeças já parecia um pouco demais, mesmo para um feroz cão de guarda. Os artistas passaram, então, a retratar Cérbero com apenas três cabeças, uma cauda de dragão e a coluna vertebral repleta de serpentes. Essa se tornou a imagem oficial da fera.

Os gregos antigos acreditavam que, aquando uma pessoa morria, seu espírito descia para outro mundo. Governado pelo deus Hades e sua mulher Perséfone, esse "mundo subterrâneo" era o destino de todas as almas, boas ou más, mas a qualidade da vida que teriam lá dependia de como haviam se comportado na Terra. Como cão de guarda do mundo subterrâneo, o trabalho de Cérbero era impedir que alguém fugisse do reino de Hades depois de ter cruzado seus portões. Filho de dois monstros terríveis ( o pai era um gigante cuspidor de fogo coberto de serpentes e mãe era uma metade-mulher, metade-serpente que devorava homens) , Cérbero não tinha dificuldade em assustar as pessoas. Se a simples visão da criatura não fosse suficiente, os dentes afiados das três cabeças do cão feroz e os espinhos de sua cauda podiam ser usados com bastante eficácia.

Fofo, o cão de três cabeças de Hagrid( cena do filme Harry Potter e a Pedra Filosofal).


Apenas alguns personagens da mitologia conseguiram enganar Cérbero e completar a jornada de volta para o mundo dos vivos. A ninfa Psique conseguiu escapar dando ao cachorro um bolo de mel envenenado, e Enéias, herói da Guerra de Tróia, seguiu seu exemplo. O músico Orfeu, que desceu ao mundo subterrâneo em busca de sua mulher morta, Eurídice, tocou sua lira de forma tão bela que Cérbero fechou seus olhos, encantado, e o deixou passar. ( Fofo reage da mesma forma à música) . E Hércules, completando o último dos doze trabalhos, lutou com Cérbero com as próprias mãos e conseguiu levar a criatura de volta para a Terra por um breve período de tempo.

Diz a lenda que, durante seus dias no mundo dos vivos, Cérbero babou, como qualquer outro cachorro. Algumas gotas de sua saliva caíram na terra, de onde nasceu uma planta venenosa chamada acônito. Também conhecida como mata-lobos, o acônito é uma planta de verdade que era usada nas poções e unguentos de bruxas, tanto fictícias quanto reais.

Centauro

Ao contrário dos centauros meditativos e filosóficos que ficam vagando pela Floresta Proibida, os centauros originais da mitologia grega eram um bando de desordeiros. Vivendo em rebanhos nas montanhas do norte da Grécia, levavam um estilo de vida turbulento e sem lei. Metade homem, metade cavalo, os centauros eram magníficos de se olhar, mas estavam sempre prontos para beber, lutar e seduzir mulheres humanas. Certa vez, convidados para o casamento do seu vizinho Pirítoo, rei dos lápitas, os centauros embriagados atacaram as mulheres convidadas, tentaram raptar a noiva e com isso começaram uma batalha sangrenta contra o anfitrião e seus aliados - luta que os centauros perderam, para o grande alívio de todos os que viviam na região.


Como acontece em qualquer família numerosa, alguns poucos centauros se rebelaram contra os hábitos bárbaros de seus semelhantes, preferindo uma vida virtuosa e dedicada à contemplação intelectual. O mais famoso deles é Quíron, que foi professor e mentor de muitos jovens humanos destinados à celebridade, entre eles Hércules, Aquiles ( o herói da Guerra de Tróia) , Jasão ( capitão do barco Argo) e Asclépio, deus da medicina. Conhecido por sua sabedoria e por seu sentido de justiça, Quíron possuía conhecimentos sobre medicina, caça, herbologia e navegação celeste. Também praticou a astrologia e a adivinhação. A julgar pela capacidade que tinham Ronan, Agouro e Firenze, de ler o futuro no céu, desconfiamos que esse centauros podem ser descendentes do ramo da família ao qual Quíron pertencia.

Os mitos contam que Quíron podia ter continuado a instruir jovens heróis para sempre, pois nasceu imortal. Mas preferiu abrir mão da imortalidade depois de se ferir acidentalmente com uma flecha envenenada pertencente ao seu amigo Hércules. Quando a dor se tornou insuportável, pediu a Zeus que o deixasse morrer. Zeus atendeu o pedido de Quíron, mas, para que continuasse imortal, colocou-o no céu na forma da constelação de Centauro.

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