Diabretes
Apesar de terem o comportamento parecido com o de muitas outras fadas, os diabretes têm uma aparência inconfundível. Além de seus cabelos de um vermelho flamejante, podem ser reconhecidos por suas orelhas pontudas, seus narizes arrebitados e um estrabismo característico. Eles têm, em geral, cerca de vinte centímetros, apesar de algumas histórias sugerirem que podem ter o tamanho que quiserem. Os diabretes quase sempre se vestem de verde e geralmente usam um chapéu pontudo. Eles vivem no subsolo, ou em cavernas, prados e bosques, mas também podem ser convencidos a se mudarem para dentro de casa. Uma dona-de-casa que esteja querendo conseguir o auxílio dessas fadas - para ajudar a tecer ou para dar um beliscão em uma empregada preguiçosa - pode tentar deixar uma cesta de maçãs sob as árvores. É bom lembrar, contudo, que não se deve recompensar os diabretes com roupas novas. Assim como os elfos e outros ajudantes domésticos, eles deixarão a casa se receberem um presente assim.
Os diabretes escondem alguns truques por baixo de suas pequeninas mangas, alguns dos quais são bastante maléficos. Seu preferido é fazer os viajantes se perderem. Muita gente já passou pela experiência de andar em um lugar conhecido e, de repente, ficar completamente perdida, incapaz de encontrar qualquer ponto de referência. No oeste da Inglaterra, essa experiência desconcertante é conhecida como pixilated, que poderíamos traduzir como "ser guiado por um diabrete".
Os diabretes também são conhecidos por roubar cavalos, eles roubam os animais durante a noite e cavalgam em círculos, dando nós impossíveis de tirar em suas crinas e rabos. Outra forma de diversão noturna dessas criaturas é dançar sobre um anel de fadas na floresta ( ver Fada), ao som dos grilos e rãs.
Dragões
Os heróis das lendas ocidentais encaram uma grande variedade de demônios e monstros, mas só uns poucos ousaram desafiar o mais poderoso de todos - o enorme dragão que cospe fogo. Mais do que um triunfo, adicional no currículo do herói, o dragão representa, em muitas histórias, a etapa conclusiva na busca da glória. Portanto, enfrentar o temperamental Rabo-Córneo Húngaro é um desafio adequado para Harry, em sua busca da vitória no Torneio Tribruxo.
Os dragões foram personagens de destaque no mito e no folclore durante a maior parte da história. No Ocidente apareceram em antigos escritos da Babilônia, Egito, Grécia, Roma, Alemanha, Escandinávia e Ilhas Britânicas. A lista de guerreiros que combatem os dragões mais parece um catálogo de heróis. O herói grego e romano Hércules deu cabo de muitos dragões em sua longa carreira, entre os quais a famosa Hidra, com nove cabeças mortíferas. Diversos guerreiros babilônios combateram Tiamat, dragão conhecido como Rainha das Trevas, com cabeça e patas dianteiras de leão, patas traseiras de águia, asas emplumadas e corpo coberto de escamas, invulnerável a todas as armas. Thor, o deus do trovão nórdico, sucumbiu ao veneno da Serpente Midgard, dragão enorme que circundava a Terra inteira, mas não sem ter antes desferido um golpe fatal na criatura. Beowulf, considerado um dos primeiros heróis da literatura inglesa, também encontrou a morte ao matar um dragão, e os cavaleiros medievais consideravam a caça aos dragões como um passatempo bastante comum.

A descrição física dos dragões se mantém quase igual em todas as histórias. Representados, em geral, como serpentes gigantescas ( a palavra grega drakon significa "grande serpente") , os dragões costumavam ser revestidos de escamas impenetráveis e munidos de um ou dois pares de pernas e de asas semelhantes às do morcego. A maioria tinha cabeça em forma de cunha e caninos compridos, às vezes venenosos. Alguns também ostentavam um par de chifres, garras enormes e um rabo com esporões, ou então bifurcado. Os dragões galeses eram, não raro, vermelhos, os dragões alemães, brancos, e os outros dragões, pretos ou amarelos.
Quase todos os dragões tinham uma coisa em comum - seu hálito de fogo. As enormes bolas de fogo que essas criaturas podiam lançar, em baforadas, eram mais do que um simples risco para os cavaleiros destemidos: dizia-se que elas podiam devastar países inteiros! E quando um herói se mostrava esperto o bastante para evitar as chamas e matar seu inimigo, um dragão ainda podia ser perigoso, mesmo depois de morto. Dizia-se que se tocar no sangue do dragão provocava a morte e que, se os dentes do dragão fossem plantados no solo, faziam brotar guerreiros sanguinários armados.
Uma fera tão ameaçadora só podia ser mesmo ser vista como um inimigo natural da humanidade. Dizia-se que os dragões eram criaturas astutas, comilonas e cruéis, que moravam em cavernas enormes ou em crateras de vulcões, bem como em oceanos e lagos. Periodicamente, matavam sua fome comendo rebanhos inteiros ou então devorando pessoas. Em muitas lendas, um dragão raptava uma donzela e sumia com ela, às vezes para devorá-la, ou apenas para gozar de sua companhia. Embora não tivessem nenhuma necessidade de dinheiro, os dragões também eram famosos por sua ganância, guardando enormes quantidades de ouro, prata e outras riquezas ( Os dragões do mar gostavam de acumular pérolas) . Dizia-se que o dragão conhecia a composição exata de seu tesouro e percebia imediatamente, reagindo com violência, se uma simples moeda fosse retirada.
Na Idade Média, os dragões foram associados à serpente bíblica que fez com que Adão e Eva fossem expulsos do Jardim do Éden. Os dragões foram então descritos e pintados como representantes do pecado, da maldade e às vezes do próprio Diabo. A clássica luta do cavaleiro contra o dragão representava, portanto, a batalha mais ampla do bem contra o mal. Dizia-se que muitos santos cristãos haviam enfrentado dragões. Um dos mais famosos foi São Jorge, que, segundo a lenda, viajava perto de Silena, na Líbia, quando ouviu falar do dragão que habitava um lago na região. A exemplo de muitos outros, esse dragão adorava devorar donzelas e não permitia que o povo tivesse acesso à única fonte de água da região, a menos que lhe dessem uma donzela por dia. Exércitos inteiros morreram massacrados na tentativa de combater a criatura. No dia em que São Jorge chegou, a filha do rei, a única donzela que ainda restava, ia ser sacrificada. São Jorge imediatamente se ofereceu para combater o dragão e conseguiu matá-lo com um só golpe de sua lança.
O êxito de São Jorge foi muito admirado, sobretudo depois que se tornou santo padroeiro da Inglaterra, no século XIV. Os dragões ficaram ligados ao cavalheirismo e ao romance. Qualquer um dos cavaleiros retratados na literatura tinha que matar ao menos um monstro cuspidor de fogo e salvar uma donzela formosa para ser considerado um herói autêntico. Nas lendas do rei Arthur, Lancelot e Tristão, às vezes citados como os mais nobres cavaleiros da Távola Redonda, mataram dragões. A tradição afirma que foram essas pessoas de espírito destemido, ávidas de dar provas da sua fé cristã e de seu heroísmo, que levaram os dragões à extinção. É claro, contudo, que Carlinhos Weasley tem uma outra versão para essa história.
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