domingo, 1 de janeiro de 2012

A Reputação da Magia

Em geral, a magia era mais temida do que admirada no mundo antigo. Mesmo quem nada sabia a respeito acreditava que podia ser prejudicado ou influenciado pela magia de outra pessoa. Se um político se perdia no meio de um discurso ou se alguém ficava doente sem mais nem menos, não era raro supor que a culpa era da maldição de um inimigo. A reputação sinistra da magia tomou impulso por causa de suas ligações com a bruxaria, na imaginação popular. A literatura grega e romana era repleta de descrições muito imaginativas, e muitas vezes apavorantes, de bruxas e de seus métodos desleais. Ericto, uma bruxa criada pelo escritor grego Luciano, do século II, usa partes do corpo humano em suas poções, enterra os seus inimigos ainda vivos e traz cadáveres putrefatos de volta à vida. Embora obviamente se trate de um personagem de ficção ( aliás, um personagem inesquecível), Ericto, e outras bruxas como ela, exerceu um impacto muito forte na imagem popular da magia e da bruxaria.

Embora a magia fosse popular entre o público que queria consultar adivinhos e comprar encantamentos e amuletos protetores, as pessoas em posições de poder desconfiavam de astrólogos que prediziam sua morte e de feiticeiros que podiam ser contratados por seus inimigos para prejudicá-los por meio de maldições. Em 81 a.C., o ditador romano Cornélio Sula decretou a pena de morte para "videntes, encantadores e aqueles que usam a feitiçaria com propósitos malévolos, que invocam demônios, desencadeiam as forças da natureza [ ou] empregam bonecos de cera com fins destrutivos". Uma série de leis do mesmo tipo foi instituída nos séculos seguintes, de tal forma que, no século IV d.C., todas as formas de magia e adivinhação foram decretadas ilegais no Império Romano. Ao mesmo tempo, a Igreja cristã, que vinha ganhando poder rapidamente, fez um esforço concentrado para suprimir a magia, tida como concorrente da fé cristã. Decretou-se que todas as formas de magia eram ligadas aos demônios ( e, portanto, ao Diabo) e foram proibidas pela lei da Igreja.

A igreja e o governo continuaram a trabalhar juntos contra a magia, ao longo da Idade Média. No entanto as crenças e os métodos mágicos, sobretudo quando ligados à medicina popular ( curas mágicas), continuaram a ser transmitidos secretamente a tornaram-se parte do repertório dos "rezadores" ou magos de aldeia dos séculos posteriores ( ver herbologia, mágico).

Nenhum comentário:

Postar um comentário