quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Criaturas Mágicas 1

Anão

Entregar cartões musicais no Dia dos Namorados para magos adolescentes não é nem de longe o tipo de trabalho que um anão costuma fazer. Segundo a lenda, esses barbudinhos durões passam a maior parte dos dias trabalhando no subsolo, onde garimpam ouro e outros metais preciosos. Como se orgulham de seu trabalho pesado, não admira que cumpram seus afazeres frívolos em Hogwarts com a cara de crianças obrigadas a comer couve amarga.

No folclore da Alemanha e da Escandinávia, os anões são uma raça de seres sobrenaturais que guardam tesouros magníficos, enterrados nas profundezas do solo. Embora tenham o poder de se tornarem invisíveis ou assumir qualquer forma, em geral têm o aspecto de homens pequenos, com cabeça grande, cara enrugada, barba comprida e grisalha, pernas e braços malformados. Criaturas sociáveis, vivem em comunidades no interior de montanhas, cavernas ou em deslumbrantes palácios subterrâneos. Por usarem roupas de cores pardacentas, confundem-se facilmente com as rochas e os arbustos, o que lhes permite entrar e sair de seu lar subterrâneo sem serem percebidos por olhos humanos. Na tradição de certas regiões, os anões, assim como os trasgos, viram pedra quando expostos à luz do sol.

Os anões são metalúrgicos talentosos e seus poderes mágicos os conduzem aos mais ricos filões de metais preciosos. Os anões mais bem-dotados para a arte trabalham com o ouro e a prata, modelando jóias e objetos decorativos considerados mais bonitos do que aqueles criados pelos humanos. Outros forjam o ferro para fabricar armas perigosas, dotadas de poderes mágicos. Thor, o deus escandinavo do trovão, sabiamente escolheu anões para fabricar sua principal ferramenta - um martelo poderoso que, quando lançado, disparava um relâmpago e depois voltava para a mão do seu dono. Os anões também trabalhavam para Odin, o deus escandinavo supremo, para o qual criaram uma lança mágica que sempre atingia o seu alvo.

Em certas regiões da Alemanha, dizem que os mineradores às vezes encontram anões, em geral quando rompem uma parede subterrânea e se vêem diante de uma oficina ou de um palácio dos anões. Contanto que os humanos não sejam rudes, os anões não ficam ofendidos com essas invasões e podem até dar conselhos sobre onde encontrar os melhores veios de minério. Os anões também podem fazer soar o alarme em uma mina quando houver perigo por um acúmulo de gases nocivos ou devido a um provável desabamento do teto. Porém, se os homenzinhos não forem tratados com o devido respeito, podem inverter os papéis e causar essas catástrofes. Se um minerador for imprudente o bastante para roubar ouro e jóias do tesouro de um anão, não só irá sofrer muitas desgraças como também, quando chegar em casa e abrir sua mochila, todo o tesouro terá se transformado em folhas.

Como vivem centenas de anos e podem ver o futuro, os anões são considerados muito sábios. Segundo a lenda, em certas cidades alemãs, tempos atrás, os anões compartilhavam sua sabedoria com os humanos, davam conselhos, contavam histórias e ajudavam a cumprir tarefas domésticas, em troca de um local aquecido para dormir, nos longos meses de inverno. Mas os anões abandonaram esse costume quando os aldeões se mostraram excessivamente curiosos sobre os pezinhos dos seus hóspedes, que sempre se mantinham ocultos embaixo de casacos que iam até o chão. Interessados em saber o que os anões estavam escondendo, os proprietários das casas polvilharam o chão com cinzas, na esperança de que os homenzinhos deixassem pegadas reveladoras. Em vez disso, os anões, muito sensíveis quanto à sua aparência, se aborreceram e deixaram a cidade, voltando para sempre à sua morada subterrânea. Alguns dizem que os anões têm patas de ganso, de corvo ou de bode; outros afirmam que têm pés humanos virados para trás - mas isso são apenas rumores não confirmados.


Bicho-Papão

O bicho-papão é bem conhecido no folclore do norte da Inglaterra como um espírito capaz de mudar de forma que, embora geralmente invisível, pode materializar-se como um ser humano, um animal, um esqueleto ou até um demônio. A maioria dos bichos-papões, como aquele que o professor Lupin guarda dentro de um armário em Hogwarts, adora assustar as pessoas. Alguns são apenas travessos, assemelhando-se ao poltergeist em seus esforços para produzir o caos em uma casa bem-arrumada. Segundo a tradição, sabemos que uma dessas criaturas intrometidas está por perto quanto portas batem sem motivo, velas se apagam de repente, ferramentas somem e ruídos misteriosos ecoam pela casa toda. Outros bichos-papões de natureza mais perniciosa espreitam no escuro, na beira das estradas, e assustam viajantes solitários, por vezes causando ferimento ou morte.

O bicho-papão é um parente, e alguns talvez digam até que é o irmão maligno, do brownie, uma criatura bem mais amistosa. Os brownies aparecem nas lendas inglesas como ajudantes nas tarefas domésticas, que assumem grande responsabilidade pelo bom estado do lar onde habitam e trazem sorte ao dono da casa. Podem limpar a sujeira, completar tarefas inacabadas, fazer pão, colher cereais, pastorear ovelhas e consertar ferramentas quebradas e roupas rasgadas. Em troca de seus serviços, eles têm direito a ganhar toda noite uma tigela de leite ou coalhada e uma fatia de bolo. Se uma recompensa maior for oferecida, será tomada como uma ofensa, e os brownies se ofendem e se zangam facilmente. Então, pode aparecer um bicho-papão no lugar de um brownie.

Acredita-se que os bichos-papões domésticos sejam escuros, peludos e feios, com mãos e pés exageradamente grandes. Para completar o visual, vestem-se de trapos. Séculos atrás, quando se achava que uma casa estava infestada por um bicho-papão, o proprietário em geral fazia um esforço enorme para se livrar dele. Mas os bichos-papões eram teimosos e às vezes uma família podia se ver forçada a mudar para outra cidade a fim de escapar. Mesmo assim, nem sempre funcionava: há a história de um fazendeiro que ficou tão farto da destruição causada por um bicho-papão que fez as malas da família toda, juntou seus pertences e partiu para uma nova residência. Quando estava saindo de casa, um vizinho surpreso perguntou se ele estava se mudando. Antes que o homem pudesse responder, uma voz vinda de dentro de suas malas disse, muito alegre:"Sim, estamos indo embora!" O fazendeiro e sua família deram meia-volta e voltaram tristes para casa, sabendo que não havia como fugir do bicho-papão espertalhão.


A Magia Hoje

A crença na magia entrou em declínio em meados do século XVII, quando as pessoas começaram a descobrir maneiras mais práticas e eficientes de enfrentar seus problemas. A química moderna permitiu a criação de novos medicamentos que substituíram os tratamentos criados segundo os princípios da herbologia, da astrologia e da magia natural. Com a ascensão do pensamento científico, as idéias sobre como o mundo funcionava passaram a ser testadas em experiências e o poder das palavras mágicas, feitiços e talismãs foi cada vez mais questionado.

Hoje, a idéia de conseguir poderes extraordinário por meio da invocação de espíritos desapareceu na maior parte do mundo moderno. Mas também é verdade que o mundo é hoje mais mágico do que nunca. Coisas julgadas impossíveis, como voar ou conversar com uma pessoa que está do outro lado do mundo, são fatos cotidianos. As aspirações da magia natural - descobrir e controlar as forças ocultas da natureza - foram realizadas pela ciência moderna. E, embora os princípios da astrologia tenham sido invalidados, revelou-se, ironicamente, que todas as virtudes ocultas na natureza vieram , de fato, das estrelas, pois agora sabemos que todos os elementos do mundo natural, inclusive nós mesmos, tiveram origem na matéria oriunda da explosão de sóis. Assim como era para os antigos, o universo continua um lugar surpreendente, repleto de maravilhas, cheio de possibilidades impossíveis e de magia.

As aventuras de Harry Potter e seus inimigos têm apreciadas exatamente da mesma forma que os romances medievais, no passado, só que por um número de pessoas muito maior. A magia teatral é mais popular do que em qualquer outra época. Seja na forma literária, seja na forma teatral, a magia confirma a nossa intuição de que há uma "outra realidade". Embora a magia possa não fazer sentido para nossas mentes lógicas, faz muito sentido para nossas mentes criativas e intuitivas, que funcionam segundo um conjunto de regras distinto. O apelo da magia parece não ter nada a ver com o fato de ela ser ou não "real". A magia veio da imaginação e alimenta a imaginação. Acreditamos que será sempre assim.

Magia Ritual

Mas a possibilidade de invocar espíritos nunca ficou inteiramente esquecida. Entre os séculos XV e XVIII surgiu em toda a Europa, e em vários idiomas, uma série sensacional de livros, chamados grimoires (ou Livros Negros) . Em sua maioria, eram escritos de forma anônima mas atribuídos a fontes antigas ( quanto mais antigo parecesse o livro, mais secreta a sabedoria que ele parecia conter) , inclusive Moisés, Aristóteles, Noé, Alexandre o Grande e o famosíssimo rei bíblico Salomão. As vendas e a circulação eram secretas, no início, pois possuir e usar um livro desses era um crime grave. Essas obras ensinavam métodos que supostamente permitiam invocar espíritos e demônios de épocas antigas.

Os grimoires prometiam magia para todos os fins imagináveis: conseguir amor, riqueza, beleza, saúde, felicidade e fama. Derrotar, amaldiçoar ou matar inimigos. Ou ainda começar guerras, curar doentes, adoecer pessoas sãs, ficar invisível, encontrar tesouros, voar, predizer o futuro e abrir portas ser ter a chave. Não admira que essas promessas tenham tornado esses livros muito populares, sobretudo durante o século XVII, quando edições baratas de certos grimoires se tornaram amplamente acessíveis. Estudantes e sacerdotes, crentes devotados e gente apenas curiosa, todos seguiam as instruções para ver o que acontecia.

Como exigiam cerimônias e rituais complicados, os métodos ensinados pelos grimoires eram conhecidos como "magia ritual" ou "magia cerimonial". Em essência, a magia ritual seguia os mesmos passos utilizados, milhares de anos antes, para invocar deuses e espíritos. Primeiro, o mágico traçava um grande círculo no chão, no qual inscrevia palavras mágicas, nomes sagrados e símbolos. Em seguida, se colocava dentro do círculo ( que o protegia dos espíritos que ia invocar) , pronunciava os encantamentos que fariam surgir o demônio e que garantiriam que seus desejos fossem atendidos. Depois, apresentava suas exigências e mandava o demônio embora. Pelo menos, era isso que se esperava.

Mas, antes que tudo isso pudesse ser posto à prova, haveria semanas, e até meses, de preparação. Segundo muitos grimoires, todo o aparato usado na cerimônia - velas, perfumes, incenso, a espada usada para traçar o círculo mágico, a varinha mágica - tinha de ser novo em folha. Também não se podia simplesmente ir ao Beco Diagonal e comprar as coisas necessárias. As velas cerimoniais tinham de ser moldadas pessoalmente pelo mágico, com cera fabricada por abelhas que nunca tivessem feito cera antes. A varinha mágica tinha de ser recém-entalhada, de um galho de aveleira cortado de uma árvore com um golpe de uma espada recém-fabricada. As tintas coloridas usadas para traçar desenhos nos talismãs mágicos tinham de ser preparadas na hora e guardadas num tinteiro novo. Além disso, segundo A Chave de Salomão, a pluma usada para desenhar os talismãs tinha de ser feita com a terceira pena da asa direita de um ganso. Cada etapa tinha de ser cumprida segundo os princípios da astrologia, sob a influência dos planetas adequados, conforme as várias épocas do ano. O mágico também tinha de se preparar espiritualmente para a cerimônia mediante uma dieta especial, jejum, banho ritual e outros procedimentos de purificação.

Nada disso, é claro, garantia que algo iria acontecer durante a cerimônia. Na verdade, as instruções eram tão minuciosas, tão específicas e, em geral, tão bizarras, que era quase impossível executar tudo conforme vinha determinado. Não admira, portanto, que, apesar de repetidas súplicas, encantamentos e de toda a sinceridade, os espíritos costumassem não aparecer, exceto na imaginação de certos praticantes e dos autores de grimoires. Mas era fácil explicar os fracassos: com tantos detalhes complicados, em algum ponto, de alguma forma, tinha de se cometer um engano.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Magia Natural

A magia se tornou novamente respeitável nos séculos XV e XVI, devido à ascensão da "magia natural", que não supõe a ajuda de demônios nem de seres sobrenaturais. A magia natural, uma espécie de ciência na época, se baseava na crença de que tudo na natureza - gente, plantas, bichos, pedras e minerais - estava repleto de forças ocultas, chamadas de "virtudes ocultas". Acreditava-se, por exemplo, que as pedras preciosas continham o poder de curar doenças, afetar o estado de ânimo e até trazer sorte. As ervas tinham virtudes ocultas, capazes de promover a cura, e às vezes bastava suspendê-las acima do leito de um paciente. Até cores e números tinham poderes ocultos. Além disso, todos os elementos da natureza estavam ligados entre si, por meios fascinantes, porém ocultos. Os mágicos naturais - categoria que incluía os médicos - tinham o desafio de descobrir essas forças e essas ligações e utilizá-las de forma positiva.

Mas não era nada simples ser um mágico natural sério. Era preciso pesquisar, estudar e observar cuidadosamente a natureza. Às vezes a "virtude oculta" de uma substância era revelada por sua aparência. Por exemplo, a erva scorpius ( cujo nome deriva da sua semelhança com o escorpião) era tida como um remédio eficaz contra picadas de aranha. Acreditava-se que plantas e animais com formatos semelhantes tinham propriedades similares. Porém o mais importante para dominar a magia natural era o estudo da astrologia, pois acreditava-se que muitas relações e propriedades ocultas na natureza emanavam diretamente dos planetas e das estrelas. A pedra preciosa esmeralda, o metal cobre e a cor verde, por exemplo, possuíam propriedades oriundas do planeta Vênus. Ciente disso, o mágico natural estava apto a usar esses elementos em diversas combinações, na tentativa de afetar áreas da vida "regidas" por Vênus, como a saúde, a beleza e o amor. Usar o metal chumbo, a pedra ônix e a cor negra era um meio provável de produzir o efeito exatamente contrário, pois os três eram regidos por Saturno e ligados à morte e ao abatimento.

Além disso, o praticante precisava ter vastos conhecimentos de anatomia e herbologia, pois curar doenças era um objetivo importante na magia natural, e uma doença provocada por uma influência planetária podia ser curada por uma erva regida pelo mesmo planeta ou, em certos casos, pelo planeta oposto. O mágico natural era um tipo de mago do mundo natural e um mestre das combinações - misturando, combinando e explorando as propriedades ocultas da natureza de modo a alcançar resultados milagrosos e benéficos.

Enquanto nos séculos IX ou X uma pessoa respeitável na certa evitaria qualquer ligação com a magia, no Renascimento a magia natural era aceita como uma área de estudo adequada a intelectuais, médicos, sacerdotes e todos que tivessem um sentimento de curiosidade científica. De fato, os estudiosos da época se sentiriam muito à vontade se estivessem em Hogwarts, onde muitas matérias da magia natural - herbologia, astrologia, quiromancia, aritmancia e a preparação de horóscopos - fazem parte do currículo.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Magia na Literatura Medieval

A partir de meados do século XII, a magia começou a ser apresentada de forma muito mais favorável, pelo menos por escritores de ficção. Primeiro na França e depois na Alemanha e Inglaterra, poetas criaram aventuras maravilhosas, passadas em épocas remotas e repletas de magia, com façanhas de cavaleiros valentes, lindas donzelas e reis heróicos. Esses relatos, hoje conhecidos como "romances medievais", diminuíam as associações negativas existentes entre a magia, os demônios e a bruxaria. A palavra "magia" era muitas vezes evitada e os autores, em seu lugar, usavam "maravilha", "assombro" e "encantamento". Os heróis possuíam espadas que lhes davam força sobre-humana, pratos que se enchiam de comida sozinhos, barcos e carruagens que não precisavam de cocheiro e anéis que tornavam seu usuário invulnerável ao fogo, ao afogamento e a outras catástrofes. Fadas e monstros da mitologia também apareciam com muita regularidade e muitas vezes era uma fada que dava ao herói exatamente aquilo de que ele precisava para concluir a sua missão. Poções, adivinhação astrológica, feitiços e ervas que curavam tinham "magia negra" ainda persistisse, com feiticeiros e bruxas malignos que surgiam de vez em quando, a maior parte desses relatos apresentava a magia de forma positiva e o público gostava tanto de sua leitura quanto nós, hoje em dia.

A Reputação da Magia

Em geral, a magia era mais temida do que admirada no mundo antigo. Mesmo quem nada sabia a respeito acreditava que podia ser prejudicado ou influenciado pela magia de outra pessoa. Se um político se perdia no meio de um discurso ou se alguém ficava doente sem mais nem menos, não era raro supor que a culpa era da maldição de um inimigo. A reputação sinistra da magia tomou impulso por causa de suas ligações com a bruxaria, na imaginação popular. A literatura grega e romana era repleta de descrições muito imaginativas, e muitas vezes apavorantes, de bruxas e de seus métodos desleais. Ericto, uma bruxa criada pelo escritor grego Luciano, do século II, usa partes do corpo humano em suas poções, enterra os seus inimigos ainda vivos e traz cadáveres putrefatos de volta à vida. Embora obviamente se trate de um personagem de ficção ( aliás, um personagem inesquecível), Ericto, e outras bruxas como ela, exerceu um impacto muito forte na imagem popular da magia e da bruxaria.

Embora a magia fosse popular entre o público que queria consultar adivinhos e comprar encantamentos e amuletos protetores, as pessoas em posições de poder desconfiavam de astrólogos que prediziam sua morte e de feiticeiros que podiam ser contratados por seus inimigos para prejudicá-los por meio de maldições. Em 81 a.C., o ditador romano Cornélio Sula decretou a pena de morte para "videntes, encantadores e aqueles que usam a feitiçaria com propósitos malévolos, que invocam demônios, desencadeiam as forças da natureza [ ou] empregam bonecos de cera com fins destrutivos". Uma série de leis do mesmo tipo foi instituída nos séculos seguintes, de tal forma que, no século IV d.C., todas as formas de magia e adivinhação foram decretadas ilegais no Império Romano. Ao mesmo tempo, a Igreja cristã, que vinha ganhando poder rapidamente, fez um esforço concentrado para suprimir a magia, tida como concorrente da fé cristã. Decretou-se que todas as formas de magia eram ligadas aos demônios ( e, portanto, ao Diabo) e foram proibidas pela lei da Igreja.

A igreja e o governo continuaram a trabalhar juntos contra a magia, ao longo da Idade Média. No entanto as crenças e os métodos mágicos, sobretudo quando ligados à medicina popular ( curas mágicas), continuaram a ser transmitidos secretamente a tornaram-se parte do repertório dos "rezadores" ou magos de aldeia dos séculos posteriores ( ver herbologia, mágico).

Alta Magia e Baixa Magia

A magia antiga é muitas vezes dividida em duas categorias - "alta magia" e "baixa magia" - que podem ser diferenciadas, fundamentalmente, pelos objetivos de seus praticantes.

A alta magia, que tem muito em comum com a religião, era motivada pelo desejo de adquirir um tipo de sabedoria inacessível por meio da experiência comum. Quando os altos magos ( entre os quais figuras notáveis como o filósofo e matemático grego Pitágoras) apelavam a deuses e espíritos, tinham os objetivos mais elevados. Esperavam receber visões proféticas, tornar-se capazes de curar doenças, alcançar o conhecimento de si mesmos ou até se tornarem semelhantes aos deuses.

Muitos sistemas de alta magia também ensinavam que todo ser humano era uma versão do universo em miniatura e continha dentro de si todos os elementos do mundo externo. Acreditava-se que, ao desenvolver seus poderes interiores de imaginação e de intuição, o mágico acabaria por tornar-se capaz de provocar mudanças reais ( e aparentemente sobrenaturais) no mundo, simplesmente concentrando suas emoções, sua vontade e seu desejo. Mas adquirir os poderes prometidos pela "alta magia" era tarefa para uma vida inteira.

Muitas outras pessoas se dedicavam à magia com objetivos mais imediatos e mais práticos. Queriam trazer sorte, riqueza, fama, sucesso político, saúde e beleza. Desejavam prejudicar inimigos e conseguir o amor, vencer no esporte, conhecer o futuro e resolver problemas práticos cotidianos. A busca desses objetivos é, em geral, conhecida como "baixa magia" - categoria que, popularmente, inclui também ler a sorte, preparar poções, lançar feitiços e usar encantamentos e amuletos. A partir do século IV a.C., centenas ou milhares de homens e mulheres tornaram-se feiticeiros e adivinhos profissionais, oferecendo magia em troca de um pagamento. Embora muitos deles tivessem reputação de fraudulentos, os registros históricos mostram que pessoas de todas as classes sociais consultavam esses mágicos profissionais com regularidade, alguns publicamente, outros às escondidas.